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Cidades Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2020, 11:33 - A | A

Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2020, 11h:33 - A | A

ADAPTAÇÃO

O desafio do ensino a distância na pandemia

Mayara Campos*

Com a pandemia de covid-19, os alunos e professores se viram diante de mais um desafio: o ensino à distância. As salas de aula migraram para a internet e os cadernos deram lugar ao computador ou celular. Desde o início do distanciamento social, em março de 2020, milhares de estudantes tiveram suas aulas suspensas e passaram a frequentar as aulas on-line. 

Frente ao ensino remoto, professores precisaram se reinventar para manter a atenção dos alunos, competindo com todas as distrações da internet. Aulas que antes eram planejadas em uma ou duas horas agora tomam mais tempo e demandam mais criatividade. Isso quando a conexão de internet não deixa professor e aluno na mão, dificultando ainda mais o ensino. 

Os alunos de baixa renda foram os maiores prejudicados nessa história, apesar de todos os esforços adotados pelos governos estadual e municipais. A baixa qualidade do sinal de internet, o custo de um pacote de dados, a falta de um ambiente calmo para o aprendizado, a desinformação quanto ao acesso às plataformas digitais, e outras dificuldades levaram milhares de alunos a desistirem do ano letivo de 2020. 

Segundo a pesquisa “Educação Não Presencial na Perspectiva dos Estudantes e suas Famílias”, realizada pelo Datafolha, o índice de evasão escolar em escolas públicas durante o ano chega a 31%. O principal motivo relatado foi a falta de motivação dos estudantes para as atividades em casa, junto com a dificuldade na rotina.

O LADO POSITIVO – Apesar dos problemas, alguns professores conseguiram manter conexões ainda maiores e mais próximas com os alunos, vencendo os desafios e inovando nos métodos de ensino, seja por meio de aulas no YouTube ou plantões de dúvida pelo Whatsapp. 

Em entrevista ao Estadão Mato Grosso, a professora de inglês Jaqueline Gisele revelou que, após um tempo, os alunos foram se adaptando ao ensino e ela “nunca esteve tão perto dos alunos como está hoje”.

“Depois de quatro meses todo mundo começou a entender a dinâmica e foi melhorando muito. Houve um comprometimento com os horários, tivemos também uma resposta melhor quanto ao conteúdo, mas também tivemos algumas desistências”, relata Jaqueline, que dá aulas em uma universidade de Cuiabá.

Apesar dos obstáculos, a professora avalia que as mudanças a deixaram mais próxima de seus alunos. “Nunca me coloquei tanto no lugar do outro como agora. Não sou mãe, mas hoje sou mãe, tia e psicóloga dos meus alunos. Consigo entender melhor a situação. Estou sempre disponível e pronta para ajudá-los. Isso foi possível por conta desta nova realidade”, enfatizou.

Já para o professor de química Mário Arruda, o ano de 2020 foi o maior desafio de todos, mas não foi um ano perdido, como muitos dizem. 

“Sem aluno não existe professor, sem professor não existe aluno. Tivemos um grande desafio este ano e só está sendo possível por meio do esforço de todos. Mostramos que nós professores estamos preparados para ensinar, independentemente da situação e, ainda mais, como todos são resilientes. Conseguimos suportar a ausência de estar em sala de aula e nos adaptamos às novas ferramentas”, afirmou Mário.

INCERTEZAS - Outro problema enfrentado pelos alunos e responsáveis foi a discussão sobre o retorno às aulas. Marcados pela polarização, alguns pais e educadores alegavam que as escolas deveriam voltar a funcionar junto com o comércio, enquanto outros defendem o ensino a distância até a chegada da vacina.

A incerteza também ‘pegou’ os gestores e várias datas para o retorno das aulas presenciais foram anunciadas durante o ano. No fim, ficou estabelecido, até o momento, que as aulas presenciais serão retomadas em fevereiro de 2021, em Mato Grosso. 

* Estagiária sob orientação do jornalista Gabriel Soares

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