Cuiabá, 12 de Julho de 2024
Icon search

CUIABÁ

Economia Quarta-feira, 02 de Junho de 2021, 10:07 - A | A

Quarta-feira, 02 de Junho de 2021, 10h:07 - A | A

CLIMA RUIM

Agronegócio amarga resultados da seca

A seca prolongada consolida seu desfecho negativo nas lavouras mato-grossenses neste 1ª semestre. A segunda safra, cultivada após o término da colheita da soja, confirmou as expectativas de queda na produção de algodão e milho, quando comparada às safras passadas. Para o milho, é prevista uma queda de -9,72%, enquanto a produção de algodão deve recuar -33,38%. As previsões constam no levantamento mais recente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado na noite de segunda-feira (31).

- FIQUE ATUALIZADO: Entre em nosso grupo de WhatsApp e receba as notícias em tempo real (clique aqui).

A estiagem mais duradoura em 2020 não foi compensada com maior volume de chuvas nos meses seguintes, pelo contrário. Maio encerrou com 43 mm de chuvas, bem abaixo do que foi registrado neste mesmo mês durante os últimos quatro anos, entre 56 mm e 90 mm.

Para a agricultura, os prejuízos apareceram no início e no fim das safras. As semeaduras das culturas de algodão e milho foram atrasadas pela colheita tardia da soja e, consequentemente, perderam a janela ideal de cultivo. No caso do milho, o atraso empurrou mais de 40% das áreas previstas (5,69 milhões de hectares) para fora do período recomendado para semeadura, o que prejudicou o desenvolvimento das plantas.

“As poucas chuvas durante o mês de maio não foram suficientes para repor o déficit hídrico em grande parte das regiões do estado. As áreas semeadas depois da segunda quinzena de março – que já vinham enfrentando dificuldades no desenvolvimento do cereal – tiveram a situação ainda mais agravada. Estas áreas ainda estão na fase de enchimento de grão, período em que a planta necessita de água disponível no solo para completar seu ciclo de desenvolvimento”, explicam os analistas do Imea.

Com as lavouras de milho enfrentando dificuldades em seu desenvolvimento, a produtividade caiu para 93,8 sacas por hectares. Sendo assim, as perdas acumuladas na safra do milho (2020/21) chegam a 13,96%, quando comparada à última temporada.

“Infelizmente tivemos cinco reduções da produção. Registramos a consolidação da quebra de safra do milho, por plantarmos mais de 45% do milho fora da janela da ideal – que é no fim de fevereiro. O produtor esperou e plantou até o dia 20 de março”, explicou Daniel Latorraca, superintendente do Imea, ao ressaltar que Mato Grosso tinha uma expectativa de produzir 36,29 milhões de toneladas nesta safra.

Agora, a produção do cereal é estimada em 32 milhões de toneladas, redução de 9,72% em relação à safra 2019/20. “A base era 35,4 milhões de toneladas [da safra anterior], tendo o milho bem comercializado. Porém, o tempo maior da seca de 2020 afetou a produtividade”, lamentou.

A intensa procura por milho tanto no mercado interno quanto externo fez com que cerca de 73% da produção prevista de Mato Grosso já estivesse vendida nos três primeiros meses de 2021. Esses compromissos não devem ser afetados pela expectativa de mais redução da safra. “Apesar da consolidação desse cenário negativo, na questão de produção, ainda teremos um volume interessante para, pelos menos, cumprir os contratos já feitos”.

Cuiabá MT, 12 de Julho de 2024