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Economia Terça-feira, 06 de Abril de 2021, 10:17 - A | A

Terça-feira, 06 de Abril de 2021, 10h:17 - A | A

AUXÍLIO EMERGENCIAL

Beneficiários terão que escolher entre comer ou pagar contas

Mak Lúcia

Mãe de três crianças, Maria das Graças, recebe o Bolsa Família e será uma das beneficiárias do auxílio emergencial, que começa a ser pago nesta terça-feira (5) para 45,6 milhões beneficiados. “O valor é pouco, mas vamos pechinchando nos mercados e vendo o que dá para comprar”, avalia ao ser questionada sobre o que irá priorizar com o dinheiro.

Dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA) apontam que Cuiabá é a capital com valor da cesta básica mais cara. De julho/2020 a janeiro/2021, o preço ficou 16,82% mais caro, chegando a custar R$ 611,30. Com base nesses dados, podemos chegar à conclusão de que famílias que têm a mulher como única provedora, que receberão R$ 375 de auxílio, não conseguirão comprar 50% dos produtos da cesta básica.

“Vou fazer pesquisas nos mercados e aonde for mais em conta, compro o leite, a carne ou o frango, que é mais barato. No outro compro arroz, feijão e óleo, este está muito caro também, mas assim vai. Temos que levar conforme dá”, pondera Maria das Graças.

A economista Thais Sampaio reforça que os valores do auxílio emergencial estão bem aquém do se espera, pois o auxílio não é só para comer, é também para que o beneficiário tenha um mínimo de sobrevivência. “Quem precisa do auxílio, tem que fazer uma escolha, ou comer, ou pagar conta”.

As contas básicas de uma família incluem, muitas vezes, aluguel, água, energia, telefone e plano de saúde. Esses itens, para aqueles que receberão R$ 150,00 de auxílio, entram na lista de contas que provavelmente ficarão atrasadas. O recurso é insuficiente até mesmo para comprar alimentos, tendo em vista que muitas das famílias estão desempregadas ou a renda por pessoa não chega a R$ 89 em uma família de quatro pessoas.

INADIMPLÊNCIA

Em relação a inadimplência das famílias, a economista afirma que 2021 não será o ano em que as dívidas serão sanadas, já que as pessoas precisarão administrar e escolher o que é mais importante e emergencial para pagar.

Dados do IBGE mostram que no Brasil a taxa de desemprego no quarto trimestre de 2020 é de 13,9 milhões. Em Mato Grosso a média fica em 9,7%.

Thais explica que com a renda diminuindo e a taxa de desemprego aumentando, fica difícil se manter em dia. “Dívidas com o cartão de crédito é o campeão em inadimplência. Dados do Bacen e da Febraban é possível ver a inadimplência das famílias”, finalizou.

Apoiadora do lockdown, Thais diz que o governo não pode ficar calçado no teto de gasto e na Lei de Responsabilidade Fiscal, numa situação em que o país e o mundo estão enfrentando. Segundo ela, a Constituição permite transgressões ao teto de gastos em situações de emergência, como é o caso da covid-19. Existem políticas públicas e fiscais que permitem que o governo aumente o valor do auxílio. “A crise econômica vai vir, de um jeito ou de outro”.

Pagamento Auxilio
Começa nesta terça-feira (6) o pagamento do auxílio emergencial 2021, e segue até o dia 22 de agosto. Ao todo serão 45,6 milhões de beneficiários com quatro parcelas mensais de R$ 150 a R$ 375 conforme cada caso familiar.

O calendário de pagamento segue conforme o mês de nascimento do beneficiário, em ciclos de crédito e saque em conta. Essa semana terá dois pagamentos; dia 6, no caso hoje, para os nascidos em janeiro e dia 9, próxima sexta-feira, para os nascidos em fevereiro.

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