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Economia Quinta-feira, 03 de Junho de 2021, 10:45 - A | A

Quinta-feira, 03 de Junho de 2021, 10h:45 - A | A

EFEITO DA SECA

Crise hídrica vai aumentar gastos com energia e alimentação

A crise hídrica e energética no Brasil terá um efeito cascata na economia nacional nos próximos meses. O cenário que aponta para esse futuro está relacionado ao baixo volume de água nas hidrelétricas, que eleva a demanda por fontes de energia mais caras, além de trazer o risco de racionamentos. O alerta de crise foi emitido pelo próprio governo federal, que busca alternativas para mitigar seu impacto.

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A seca, além de causar queda das safras deste ano, implica no aumento de custo com energia no país. Neste mês de junho, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) comunicou o acionamento da bandeira tarifária vermelha, patamar 2, a maior taxa. O custo adicional na conta será de R$ 6,24 para cada 100 kWh consumidos.

A medida visa preservar os reservatórios das hidrelétricas e incentivar a redução do consumo, criando um peso no bolso dos consumidores que gastarem além da conta. No entanto, a previsão é que o custo adicional com energia cause um efeito cascata sobre itens básicos, como alimentação e habitação, pressionando ainda mais a inflação.

Outra preocupação é que o gasto também afete índices monetários, como destacou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, durante evento organizado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS). Na ocasião, estava em debate os riscos climáticos para o sistema financeiro.

“Olhamos para as questões climáticas e observamos como ela afeta a política monetária. Tivemos todos esses choques, quer dizer, isso está de volta no Brasil porque estamos falando sobre crise de energia de novo, porque não está chovendo o suficiente", pontuou. “Isso afeta preços de alimentos e tudo o que fazemos”, completou.

A aflição do presidente do BC se deve ao fato de que o custo com energia elétrica afeta dois grupos importantes para o cálculo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), feito pelo IBGE: a alimentação no domicílio e habitação. Juntos, eles respondem por quase 20% do índice.

A projeção da inflação para 2021 já está acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, que era de 5,25%. No mais recente boletim Focus, o BC aponta para uma inflação de 5,31% ao final do ano, um novo reajuste para cima. Há um mês, a projeção estava em 5,04%.

No caso dos alimentos, no mês de abril, o custo com refeições em casa registrou aumento de 0,47% ante a março. Os alimentos como carnes, tomates, frango em pedaços e leite longa vida foram os que mais pesaram no bolso das famílias naquele período.

As carnes, por exemplo, são os itens com altas mais persistentes. Em 12 meses, acumularam alta média de 35,03%. Parte desse acúmulo vem do custo de produção nos campos, que inclui insumos como energia, água e suplementos como milho.

OUTROS PROBLEMAS - As exportações em alta também devem continuar a pressionar a inflação no país. Com o dólar valorizado, o envio de commodities para o exterior ganha vantagem, reduzindo assim a oferta interna.

Diante desse cenário, o Comitê de Política Monetária (Copom) antevê outro ajuste na taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 3,50% a.a. O percentual de reajuste dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação, mas seu objetivo principal é desaquecer o mercado.

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