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Economia Quarta-feira, 31 de Agosto de 2022, 10:48 - A | A

Quarta-feira, 31 de Agosto de 2022, 10h:48 - A | A

TRÉGUA CURTA

Deflação deve desacelerar em agosto e juros pode subir, avalia economista

Da Redação

A deflação de agosto deve ser menor do que a apresentada pelo IPCA-15, a prévia da inflação divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontou para uma inflação -0,73%. O economista Vivaldo Lopes acredita que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar o mês entre -0,3% e -0,4%, o que deve ser confirmado quando o IBGE divulgar a inflação do mês cheio.

Vivaldo destaca que essa redução da inflação já era esperada pelo mercado, como resultado da redução dos impostos incidentes sobre combustíveis, energia elétrica e gás, dentre outros itens que têm forte impacto no IPCA. Isso fez com que a inflação acumulada nos últimos 12 meses baixasse de 11,39% no último mês para 9,6% em agosto.

 

“Ainda é uma inflação alta, basta lembrar que o centro da meta é 3,5%”, ressalta o economista, em entrevista ao Estadão Mato Grosso.

Vivaldo ainda pontua que o Banco Central não deve conseguir baixar a inflação para o centro da meta neste ano e avalia que será difícil de isso ocorrer em 2023. Além disso, a inflação alta dos alimentos é o principal ‘vilão’ neste momento.

“O preço de itens importantes para alimentação não vão cair. Devem continuar [a subir], talvez não tenha um aumento tão forte, mas deve ficar estabilizado em um patamar alto”, afirma.

Vivaldo avalia que a tendência daqui para frente é que essa deflação acelerada, como a registrada em julho (de -0,68%) e a registrada até meados de agosto pelo IPCA-15 (de -0,73%), deve se fixar próxima de 0% devido à carestia dos alimentos, que pressionam o índice. Já a projeção para a inflação ao final do ano será entre 6,45% e 7,5%, o dobro da meta do BC.

Diante desse cenário, o mercado já trabalha com a expectativa de mais um arrocho monetário na próxima reunião do Conselho de Política Monetária (Copom), que será realizada nos dias 19 e 20 de setembro. Até algumas semanas, a possibilidade de o Banco Central continuar aumentando a Selic era baixa, mas os analistas já trabalham com a perspectiva de mais um aumento de 13,75% para 14,25%.

Essa medida deve afetar principalmente um dos setores que mais estão pressionando os preços, o de serviços, que após um longo período de paralização em razão da pandemia, voltou em quase 100% com os preços extremamente elevados. Assim, ao mesmo tempo em que gera empregos, o setor de serviços empurra a inflação para cima.

“São eventos do setor de serviços que ajudam a impulsionar a economia, mas da mesma forma que eles ajudam a impulsionar, eles encarecem também, pois estão voltando mais caros. Então, o setor de serviços está ajudando a reduzir o desemprego, a dinamizar a economia, mas está voltando com preços mais elevados do que estavam em 2021 e em 2019”, conclui.

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