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Economia Sexta-feira, 30 de Setembro de 2022, 10:16 - A | A

Sexta-feira, 30 de Setembro de 2022, 10h:16 - A | A

CHANCES DESPERDIÇADAS

Falta de regulamentação faz MT perder dinheiro no mercado de carbono

Da Redação

O mercado de carbono avança a passos lentos no Brasil e segue ‘desvalorizado’ em relação a outros países, com o crédito de carbono ‘subprecificado’. Para resolver esse cenário, é necessário promover a regulação do setor, defende Marcelo Thomé, diretor do instituto Amazônia+21 e presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (Fiero).

A declaração de Thomé foi feita durante o evento ‘Jornada Negócios e Sustentabilidade’, realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo instituto Amazônia+21, que reúne empresários da Amazônia brasileira e as federações industriais dos 9 estados pertencentes à Amazônia Legal.

 

“É fundamental a regulação do nosso mercado de carbono. Essa é uma bandeira que a CNI e as federações de indústria defendem, para que tenhamos segurança jurídica, confiança nos projetos produzidos e, principalmente, ganho de reputação e credibilidade desses projetos do ponto de vista internacional, para que não haja subprecificação”, disse.

A medida é necessária para melhorar o valor pago aos empresários e produtores que se esforçam para preservar e recuperar o meio ambiente, sequestrando gás carbono, que é um dos gases que contribuem para as mudanças climáticas. No Brasil, o crédito de carbono vale em torno de R$ 12, enquanto na Europa o crédito tem um valor médio de 60 euros - cerca de R$ 317, na cotação desta quinta-feira (29).

“Não há dúvida de que precisamos avançar, porque o nosso potencial de geração de crédito de carbono, considerando o recorte amazônico, é gigantesco. Só do ponto de vista florestal, a Amazônia representa 17% do estoque de carbono do planeta. Isso será disruptivo do ponto de vista econômico, de geração de prosperidade e riqueza”, completa Marcelo Thomé.

O secretário da Amazônia e Serviços Ambientais do Ministério do Meio Ambiente, Marcelo Freire, também participou do evento e destacou as potencialidades do Brasil, ressaltando que o país detém uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo. De acordo com Freire, a região amazônica tem potencial para se tornar referência mundial no processo de transição energética.

“O que o Brasil hoje é, em termos de transição energética, é o que a maioria dos países querem ser daqui 20 a 30 anos”, afirma Freire, que destaca que o Brasil está posicionado de forma privilegiada para a produção de bens com baixa pegada de carbono.

Apesar do potencial, o mercado ainda tenta entender como funcionará a negociação dos créditos de carbono, que ainda está incipiente, mas tem grande potencial de mitigar os problemas causados pelas mudanças climáticas ao mesmo tempo que transfere riquezas aos países que mais preservam. A única certeza dos especialistas é que não há como debater a questão climática sem incluir o Brasil como um dos protagonistas nesse mercado.

 
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