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Economia Quarta-feira, 02 de Novembro de 2022, 11:01 - A | A

Quarta-feira, 02 de Novembro de 2022, 11h:01 - A | A

FUTURO GOVERNO

O que Mato Grosso pode esperar do governo Lula na área da economia

Da Redação

Os produtores do agronegócio mato-grossense deverão observar mais as regras ambientais a partir de 2023, com o início do governo do presidente eleito Luis Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação é do economista e especialista em comércio exterior Vitor Galesso, que prevê maior investimento na agricultura familiar e manutenção das obras de infraestrutura em Mato Grosso.

Em entrevista ao Estadão Mato Grosso, Galesso disse não acreditar que a situação de bloqueios de rodovias se estenderá por muito tempo, haja vista que autoridades judiciais já declararam o movimento ilegal e governadores de alguns estados estão acionando as forças de segurança estaduais para desobstruir as rodovias. 

 

“É preciso aprender que no jogo democrático você ganha e perde. Então, você precisa aceitar quando perde. Isso é uma imaturidade de alguns, esses precisam aceitar. Eles ainda estão na eleição, vão amadurecer um pouco e sair da eleição, porque já acabou”, sentencia Vitor Galesso.

Quanto às projeções sobre o governo Lula, o economista afirma que ainda é cedo para traçar um panorama, já que o futuro presidente ainda não nomeou sua equipe econômica. Portanto, ainda não é possível saber quais serão os eixos prioritários de seu governo. Porém, o economista acredita que os movimentos feitos até o momento indicam que será mais um governo de coalizão, mais ao centro.

“Parece que está sendo [mais ao centro]. Se for mais à esquerda, a gente deve ter pouca preocupação no aspecto de investimento nessa área do grande agronegócio, deve ser transferido isso tudo para o próprio setor, que sempre foi independente”, acrescenta Vitor.

A perspectiva do economista é de que Lula deve manter projetos de infraestrutura que já estão em andamento, como a construção de ferrovias e a melhoria da malha viária, que são essenciais para garantir o escoamento da produção do agronegócio. Esse tema tem sido debatido por representantes da agroindústria com pessoas ligadas ao futuro governo.

Porém, Galesso alerta aos produtores que o governo Lula deve ser mais exigente na questão ambiental, com forte repressão ao desmatamento ilegal e às queimadas. Esse foi um dos principais assuntos levantados pelo petista durante o debate eleitoral e se tornou ainda mais evidente após a eleição, quando presidentes de países europeus e dos Estados Unidos ligaram para Lula já sinalizando parcerias para a política ambiental.

“Mato Grosso pode se transformar efetivamente numa grande vitrine de uso do solo com proteção adequada do meio ambiente. Então, ao mesmo tempo que pode parecer uma coisa meio perigosa, meio ruim, pode ser uma excelente chance também para o produtor mato-grossense abrir todas as portas do exterior, para que a gente tenha um estado de grandes áreas de produção e com o adequado tratamento ambiental”, destacou o economista.

Galesso avalia que Lula também deve direcionar investimentos para a expansão da agricultura familiar e não vê espaço para qualquer tipo de restrição ao agronegócio. Porém, ele projeta que a retomada dos investimentos internacionais pode levar a uma queda no preço do dólar, o que levaria a uma queda nos valores pagos pelas principais commodities agrícolas, como soja, milho e algodão.

“A única questão que a gente vai ter [...] é questão dos investimentos estrangeiros e uma redução possível nas cotações de moeda estrangeira, mas isso só vai se dar se a gente tiver equilíbrio fiscal. Então, a gente ainda não sabe e depende muito da condução do ano de 2023, ano em que as bombas vão explodir, por exemplo, a explosão do teto fiscal, uma grande bomba que foi deixada armada para explodir em janeiro”, apontou.

A ‘bomba fiscal’ à qual Galesso se refere soma R$ 280,3 milhões, segundo cálculo realizado pela consultoria Tendências. Esse é o valor de medidas propostas por ambos os candidatos durante o processo eleitoral, como a manutenção do Auxílio Brasil em R$ 600, a correção da tabela do Imposto de Renda para isentar quem recebe até R$ 5 mil, os reajustes de servidores públicos e a desoneração dos combustíveis.

“Na hora que essas bombas estiverem às claras é que nós vamos saber nessa questão, de inflação e câmbio, como vão se comportar”, concluiu.

 
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