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Economia Sábado, 10 de Setembro de 2022, 10:16 - A | A

Sábado, 10 de Setembro de 2022, 10h:16 - A | A

MERCADO AUTOMOTIVO

Preços dos seminovos reduzem e diesel alto derruba procura por caminhonetes

Da Redação

Após a onda de supervalorização dos seminovos, o mercado automotivo começa a voltar à normalidade, com mais oferta de carros novos nas concessionárias. No auge da crise do setor, quando compradores enfrentavam filas de até 160 dias para obter um novo, os veículos seminovos valorizaram cerca de 30% devido à disponibilidade imediata, mesmo os carros que já tinham mais de um ano de uso.

Esse cenário começou a mudar a partir do segundo semestre, conforme mostra a tabela Fipe. Tomamos como exemplo um dos seminovos mais comercializados no país, um Ônix 2020. Esse modelo chegou a custar R$ 61,8 mil em junho, mas em setembro, o mesmo modelo e ano já é vendido por R$ 59,9 mil, uma queda de 3% em três meses.

 

Jorge Mattos, vendedor de uma loja de seminovos na capital, acredita que esse cenário de queda nos preços deve se manter até o retorno ao patamar de equilíbrio, vivenciado antes da pandemia.

“A tabela deu uma reajustada, está normalizando, mas o que tem quebrado é a taxa Selic, que está alta, está dificultando a saída. Não deixa de sair, mas está dificultando”, afirma Mattos.

Mattos também diz que a procura estagnou em razão das incertezas que sempre preocupam os consumidores em época de eleições gerais. Por outro lado, a redução dos preços tem motivado aqueles que estão fazendo negócios, que brigam cada vez mais por preços menores e têm na forte concorrência dos seminovos um aliado na hora de fechar bons negócios.

“A redução de preços está facilitando, em certo termo. Mas, como eu mencionei, envolve muito a questão da política. A maioria dos veículos que estão saindo aqui, pelo menos na loja que trabalho, a maioria é flex, já que teve diminuição do etanol e da gasolina. A procura por esses veículos está maior. Já os veículos a diesel estão bem parados”, destaca o vendedor.

Já em relação às taxas de financiamento, Mattos afirma que isso depende bastante do score dos clientes, que têm fechado negócios com taxas entre 1,6% e 4%, ao mês. Os juros dos automóveis estão bem acima da taxa Selic, hoje em 13,75% ao ano, podendo chegar em 14,25% após a reunião do Copom, que será realizada nos dias 20 e 21 deste mês.

Nesse cenário de juros altíssimos, a concorrência promovida pelas concessionárias, que possuem instituições financeiras próprias, tem ofertado melhores condições para os compradores.

“A Trescinco, por exemplo, está colocando uma taxa de 0,99%. Então, o cliente vem aqui na loja, vê que a taxa ficou maior, aí ele volta lá para comprar. Os carros mais em conta estão saindo nessa faixa, são taxas bem mais baixas. Mas, aqui na loja, a gente consegue uma taxa boa, variando pela questão do relacionamento do cliente com o score”, pontua.

DIESEL AFASTA COMPRADORES

O preço do óleo diesel nas alturas, hoje vendido em Cuiabá na faixa de R$ 7, tem desencorajado os consumidores de comprarem veículos movidos por esse combustível. Além disso, há uma demanda muito grande no mundo pelo diesel, o que torna ainda mais difícil uma redução significativa nos preços dentro dos próximos meses.

“Muita das vezes a gente consegue fechar o negócio, mas tem que baixar bastante o preço pra vender. E sempre tem outros veículos nas negociações. Essa ‘briga’ influencia muito. Para facilitar a negociação, precisamos baixar os preços ou ‘valorizar’ os veículos, mas a procura está muito baixa por veículos a diesel”, conclui.

Essa redução da procura por veículos a diesel também afeta os veículos novos. Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), em nível nacional, houve uma redução de 14% no emplacamento de veículos comerciais leves (caminhonetes e picapes) na comparação entre janeiro e setembro deste ano com o mesmo período do ano passado.

 
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