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Geral Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2022, 11:00 - A | A

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DEZEMBRO VERMELHO

Infectologista explica diferenças entre PreP e PEP e desmitifica mitos sobre HIV

Assessoria de Imprensa

Desde que surgiu a epidemia de HIV em 1980, o vírus passou da trágica trajetória que matou muitas pessoas até ao status atual com importantes tratamentos que o tornam indetectável. A infecção por HIV ainda continua sendo uma realidade, sendo que em Mato Grosso, até novembro deste ano 555 casos foram registrados, conforme dados do Ministério da Saúde, com uma taxa de mortalidade que se situa em 4,9 mortes anuais por 100 mil habitantes.

Apesar deste cenário, os avanços da ciência proporcionam qualidade de vida e meios de prevenção que podem garantir mais segurança aos portadores do vírus, assim como para quem é exposto ao vírus, seja por relação sexual ou por outras formas.

 

A médica infectologista Paula Battaglini, que atende no Hospital São Mateus, em Cuiabá, analisa que tanto as profilaxias Pré-exposição (PreP) e Pós-Exposição (PEP), assim como a Terapia Antirretroviral (TARV) tem garantido que o combate ao HIV seja cada vez mais eficaz.

PreP

A Profilaxia Pré-Exposição (PreP) passou a ser disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil a partir de 2017. Primeiramente direcionada a pessoas com maior risco de exposição ao vírus.

Em setembro de 2022, o Ministério da Saúde atualizou o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) garantindo que a PreP possa ser utilizada por todas as pessoas acima de 15 anos de idade, sexualmente ativas e com risco aumentado para o HIV. Destaca-se que adolescentes com idade igual a 15 e menores de 18 anos, podem buscar o serviço de saúde sem a necessidade de estarem acompanhados pelos pais.

“O uso da PreP funciona da seguinte forma: no primeiro dia se toma dois comprimidos e a partir daí, é um comprimido diário. Tomando esse medicamento de forma correta, sem falhas entre as doses, com sete dias se consegue atingir nível de proteção ideal da medicação na mucosa anal, e com três semanas, na mucosa vaginal”, explica.

De acordo com a médica, o uso da PreP garante prevenção de até 95% em homens que fazem sexo com outros homens (HSH) e em mulheres trans que façam sexo anal. Já em pessoas cis e heterossexuais, a prevenção pode variar entre 49% até 84%, sendo que em mulheres cisgênero, o risco de contágio reduz entre 60% e 66%, enquanto que em homens cis pode variar entre 80% e 85%.

A PreP é fornecida pelo SUS e também pode ser comprada em farmácias, mas apenas com a prescrição profissional.

PEP

A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) é administrada em até 72h após o contato com o vírus. A infectologista Paula Battaglini explica que alguns questionamentos são feitos à pessoa para que a PEP possa ser utilizada, como à qual material biológico a pessoa foi exposta e se essa exposição realmente é passível de contágio por HIV.

“Se for uma exposição à material biológico em contato com uma pele íntegra, isso não é passível de contágio por HIV. O risco maior consiste em sexo desprotegido, e não necessariamente ocorre a infecção em uma única relação”, destaca a especialista.

A PEP só está disponível no SUS e só é prescrita por um profissional de saúde após analisados todos os fatores da exposição. A medicação é administrada por 28 dias, e depois a testagem é repetida para identificar se houve ou não soroconversão - se há manutenção do HIV negativo.

Paula explica que outro fator que pode ser levado em consideração para a tomada de decisão de fazer uso ou não da PeP é a sorologia da pessoa a qual o (a) paciente foi exposto (a), sendo que em soropositivos com carga viral indetectável, o risco de transmissão do vírus é insignificante.

TARV

Diante do diagnóstico de HIV/Aids, o paciente passa a ser tratado com Terapia Antirretroviral (TARV), medicamento que deve ser tomado todos os dias sem interrupção ao longo da vida e que mantém a carga viral indetectável.

“O acompanhamento por um profissional da saúde é fundamental para quem foi diagnosticado com HIV/Aids. O HIV não tem cura, mas tem tratamento extremamente eficaz, com medicamentos com poucos efeitos adversos ou colaterais, com alta barreira genética – muita chance de sucesso terapêutico que é manter a carga viral indetectável e minimizar os efeitos deletérios que o vírus causa no organismo”, pontua a infectologista.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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