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Judiciário Sexta-feira, 07 de Maio de 2021, 14:18 - A | A

Sexta-feira, 07 de Maio de 2021, 14h:18 - A | A

CRIME NO ALPHAVILLE

Mãe de Isabele pede bloqueio de 15 imóveis da família que matou a filha

A empresária Patrícia Hellen Guimarães Ramos pediu o bloqueio de 15 imóveis pertencentes à família da adolescente que matou sua filha, a também adolescente Isabele Guimarães Ramos, de apenas 14 anos de idade, em julho do ano passado. O objetivo é garantir o pagamento da indenização pela morte da jovem quando todo o processo for concluído. O pedido foi ajuizado na última sexta-feira, 30 de abril, e direcionado ao juiz Murilo Moura Mesquita, titular da 8ª Vara Criminal de Cuiabá.

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Os bens selecionados fazem parte de um conjunto de 25 imóveis encontrados pela empresária em consulta ao sistema da Associação dos Notários e Registradores de Mato Grosso (Anoreg-MT).

Ao fazer o pedido, Patrícia fixou previamente a indenização de 1 mil salários mínimos, o que corresponde a mais de R$ 1,1 milhão. O montante é referente à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que considera razoável a condenação em até 500 salários mínimos de indenização para cada familiar. No caso, o valor requisitado se refere também à indenização de direito do irmão da adolescente, também menor de idade.

“A morte violenta da vítima ISABELE GUIMARÃES RAMOS decorrente, em tese, da conduta dos acusados e de sua filha, causou danos psicológicos irreversíveis na Requerente, na condição de genitora, e no seu filho, [nome ocultado], de apenas 13 (treze) anos de idade, na condição de irmão de vítima, o qual, do mesmo modo, deve ser indenizado em demanda específica”, diz trecho do documento.

Na peça, a defesa da família, patrocinada pelo advogado Hélio Nishiyama, explica que não sabe precisar o valor dos imóveis listados e que, após a concessão da liminar e seu devido cumprimento, apresentará a estimativa do valor dos imóveis bloqueados. A relação deverá ser feita para corrigir eventuais excessos.

O CASO
Isabele Guimarães Ramos foi assassinada no dia 12 de julho de 2020 no condomínio de luxo Alphaville 1, em Cuiabá. Ela estava numa casa vizinha, fazendo torta de limão, quando sua amiga a matou com um tiro no rosto.

A autora do disparo também é adolescente, que tinha a mesma idade de Isabele na época. Ela usou a arma do pai, um empresário de Cuiabá, para efetuar o disparo. A garota e toda sua família tem treinamento de tiro, cujas aulas eram ostentadas com orgulho nas redes sociais.

A adolescente já foi condenada por ato infracional análogo ao homicídio doloso, quando há intenção de matar. Ela cumpre pena de três anos no Lar Menina Moça.

O Ministério Público do Estado (MP-MT) também denunciou os pais da atiradora por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, entrega de arma de fogo a pessoa menor, fraude processual e corrupção de menores. O pai da garota também foi denunciado por posse ilegal de arma de fogo.

O namorado da adolescente assassina foi condenado a 4 horas de trabalho semanal comunitário por ter levado a arma do crime para a casa onde Isabele foi morta. A sentença determina o cumprimento da pena por 6 meses.

Seu pai também foi denunciado. Ele é o dono da arma que o garoto levou para a namorada. Mas o homem firmou acordo com o MP, pagou R$ 40 mil e se livrou das acusações.

Cuiabá MT, 22 de Julho de 2024