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Opinião Terça-feira, 22 de Junho de 2021, 15:20 - A | A

Terça-feira, 22 de Junho de 2021, 15h:20 - A | A

JANIELLY CASSIA BARBOSA

Caio, um olhar dentro do diagnóstico

JANIELLY CASSIA BARBOSA

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM-5 o autismo, é conhecido como Transtorno do Espectro Autista, é caracterizado por problemas na comunicação, na socialização e no comportamento, podendo ser diagnosticado entre os 2 e 3 anos de idade e três níveis de grau, leve, moderado e severo. Receber um diagnóstico de algo que nunca ouviu falar não é fácil, é preciso estudo paciência e buscar informações para auxiliar o bebê ou a criança que apresenta comportamento diferente dos demais na mesma faixa-etária. O transtorno faz com que a criança apresente alguns comportamentos específicos, dificuldade na fala e expressão corporal assim como ideias, agressividade em meio a outras pessoas, baixo contato visual, padrões repetitivos e movimentos estereotipados, como ficar com as mãos para o alto em movimento circular para frente e para trás.

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A gravidez
Aconteceu de forma inesperada, recém na faculdade para cursar licenciatura em pedagogia, uma gravidez naquele momento mudaria todo o percorrer do curso, mãe de um menino de 06 anos de idade com seu desenvolvimento normal, testar positivo para segunda gravidez, sabia que a vida tomaria outros caminhos. Assim os cuidados necessários por meio do pré-natal na unidade básica de saúde do bairro Altos da Serra entre vacinas, exames, rotina e enxoval que toda mulher grávida sonha, mexeu com toda rotina da casa e da família. Entre um exame e outro o quadro de diabete gestacional e pressão alta no final da gravidez apresentou alteração, sendo necessário fazer acompanhamento dia sim e dia não para aferição arterial e batimentos cardíacos do bebê. Nada fácil para mãe de segunda viagem.

O parto até a primeira infância
Janeiro do ano 2012, Caio nasceu de um parto tranquilo para o bebê, ansioso para mãe. Uma criança fisicamente saudável, os primeiros cuidados e testes da maternidade como orelinha e pezinho apresentou quadro bom e com nota entre 9,0 (nove) e 10,00(dez), recebendo alta dentro do prazo da normalidade e rotina do hospital. Entorno dos seis meses de idade o bebê pouco balbuciava, não emitia sons, chorava muito e olhava pouco ou quase nada nos meus olhos. Começou a me incomodar muito, pelo fato de já ter outro filho que se desenvolveu dentro de todas as fases esperada. Até que chegou o momento de sentar, engatinhar e andar. Com dificuldades para manter-se firme e com poucos movimentos como rolar na cama, no chão, buscar ajuda a pediatria da unidade básica de saúde foi à solução imediata para aquele momento de angústia. Diante dos relatos tardios do bebê para o médico, os primeiros encaminhamentos foram surgindo, como ortopedista, oftalmologista, psicólogos, fonoaudióloga, neurologista e por último a psiquiatria. No decorrer da busca pra saber o que o bebê tinha o tempo foi passando e a vida com o autismo já era uma realidade.

A intervenção precoce
Ajudou muito auxiliar a vida dele até aqui, aos 2 anos de idade ele apresentava comportamentos diferenciados enquanto buscava compreensão para o que estava acontecendo. Lembro que participei de uma atividade psicoterapeuta na policlínica do Planalto junto ao psicólogo da unidade denominada “cuidando dos cuidadores”, onde o meu olhar como mãe de uma criança especial passou a mudar, participar foi um ato de coragem e amor, ali começava o processo de aceitação do Tea na minha vida. Primeiro contato que tive com outras famílias de diversas especialidades, foi a chave para expandir o olhar para ajudar o meu filho como uma criança que se apresentava com seu jeito peculiar, a partir deste momento novos horizontes foram apresentados , novos caminhos percorridos até a chegada do diagnóstico de TEA aos 04 anos. Desde então a cada dia novos aprendizados, reconhecer os significados de cada gesto, reconhecer e interpretar os momentos de agitabilidade, reconhecer alimentos e produtos que podem causar irritabilidade. Junto com as terapias de equoterapia e fonoterapia semanal seu desenvolvimento avançou, Caio hoje verbaliza palavras chaves, como mamãe, papai, vovó, cachorro, pastel e arrisca algumas frases, como mamãe quer pastel, consegue responder perguntas que envolvem a palavra sim e não, tem sensibilidade para as coisas mais simples da vida, é carinhoso, e gosta sempre de ajudar com as coisas que acha importante, como molhar as plantas e cuidar dos animais.

JANIELLY CASSIA BARBOSA é mãe de autista, Mãe do CAIO e Professora da rede municipal de ensino

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