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Opinião Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2024, 13:31 - A | A

Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2024, 13h:31 - A | A

LAERTE BASSO

Com que frequência ir ao ginecologista?

Laerte Basso*

As idas ao ginecologista começam geralmente após a primeira menstruação. As meninas costumam ir para orientação sobre os ciclos menstruais, higiene íntima, uso de absorventes e coletores menstruais, para falar de cólicas, TPM (tensão pré-menstrual), métodos para evitar gravidez e ISTs (infecções sexualmente transmissíveis).

Outra boa oportunidade ir ao ginecologista é quando o assunto sexo começa a surgir. A partir do momento que houver curiosidade ou interesse em iniciar a vida sexual, a menina deve procurar o ginecologista para conversar sobre a primeira relação sexual, o que esperar na hora, o que acontece com o corpo, os cuidados de higiene, uso de preservativos e métodos contraceptivos.

A partir da primeira menstruação e/ou da primeira relação sexual, as consultas ginecológicas devem ocorrer ao menos uma vez por ano. Importante lembrar que a realização de exames (que muitas vezes são solicitados por outros médicos não ginecologistas) não substitui a consulta ginecológica. Existem algumas situações que não causam sintomas tão evidentes, que só serão diagnosticados durante a consulta (por exemplo, lesões de HPV dentro da vagina ou no colo uterino).

Quando a mulher decide engravidar também deve procurar o médico

ginecologista/obstetra para ser avaliada, realizar alguns exames específicos e passar por aconselhamento pré-natal. Este planejamento da gravidez diminui os riscos de complicações durante a gestação.

Durante a menopausa

Aquelas mulheres que já entraram na menopausa (que tem no mínimo um ano completo sem menstruar) devem marcar consulta com ginecologista uma vez ao ano, ou até em intervalos menores se tiverem fazendo reposição hormonal.

Em geral, o tempo de retorno vai depender se a mulher está fazendo acompanhamento por alguma situação específica, se está em tratamento medicamentoso ou não, ou a pedido do ginecologista. Importante lembrar de alguns sinais de alerta que devem fazer a mulher agendar com rapidez uma consulta (independente do intervalo de tempo que tenha ido ao ginecologista):

● Sangramento fora do período menstrual
● Alterações nos ciclos menstruais
● Dor e/ou sangramento na relação sexual
● Problemas com o método contraceptivo
● Sangramento após a menopausa
● Surgimento de verrugas, manchas ou qualquer lesão na vulva
● Corrimentos suspeitos (com alteração de quantidade, cor ou cheiro,
presença de dor e coceira)
● Alterações nos mamilos ou nas mamas
● Qualquer outro sintoma que cause estranheza ou incômodos.

Exames

A solicitação de exames depende da idade, fatores de risco, se já foram identificadas alterações (acompanhamento) e de eventuais queixas da paciente.

Em geral, os exames de rotina são:

- Colpocitologia Oncótica (conhecido como Papanicolaou): é indicado para mulheres a partir de 25 anos de idade para rastreamento de câncer de colo de útero. Deve ser feito anualmente;
- Sorologias: exames de sangue para identificação, por exemplo, de doenças sexualmente transmissíveis (DST);
- Ultrassonografia transvaginal: costuma ser solicitada quando a paciente está com alterações no ciclo menstrual, dores pélvicas, queixas de infertilidade ou se está na menopausa para verificação do endométrio (mucosa que reveste o útero) e ovário;
- Mamografia: indicada a partir dos 40 anos, pode ser realizada antes dessa idade, caso a paciente relate algum fator de risco.

Outros exames também podem ser solicitados, como a Densitometria Óssea, que identifica o risco de osteoporose e o de sangue oculto nas fezes, para verificação de câncer de intestino.

A evolução da Medicina Diagnóstica tem sido uma importante aliada do médico na confirmação de hipóteses diagnósticas, mas de nada adianta se você, mulher, não realizar um check-up periódico e não informar, em detalhes, eventuais problemas que identificou em sua saúde.

Quando foi a última vez que você esteve no ginecologista? Se demorou para responder, é hora de pensar na sua saúde.

*LAERTE BASSO é ginecologista e obstetra, membro da Sociedade Brasileira de Endometriose e da Sociedade Européia de Endometriose e Doenças do Útero, e integra a equipe multidisciplinar do Instituto Eladium, em Cuiabá (MT)

 
 
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