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Opinião Quarta-feira, 09 de Junho de 2021, 10:50 - A | A

Quarta-feira, 09 de Junho de 2021, 10h:50 - A | A

EDITORIAL - 09/06/2021

Jogo diplomático

Pragmatismo é a palavra-chave quanto se trata da relação entre dois países. Mais que um alinhamento automático e subordinação, é preciso traçar objetivos claros e deixar de lado a ideologia para garantir os melhores resultados nas negociações. Exemplo claro disso foi dado nos últimos dias em Mato Grosso, com uma rodada de conversas com embaixadores de várias nações, que culminou na assinatura de um acordo de cooperação entre o governo estadual e o norte-americano.

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Enquanto o presidente Jair Bolsonaro beijava o chão por onde o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passava na tentativa de conseguir algumas migalhas de atenção e uma indicação à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o governador Mauro Mendes (DEM) conseguiu melhor resultado sem precisar ‘puxar saco’.

Nesta terça-feira (8), Mato Grosso assegurou um acordo para investimentos em diversas áreas: educação; saúde, ciência, meio ambiente, mudanças climáticas e tecnologia; segurança pública, incluindo controle de drogas ilegais, medidas para combater o tráfico de pessoas, e administração penitenciária, migração; comércio e investimento; agricultura; turismo; economia verde e infraestrutura.

Em conversa com jornalistas, o embaixador Todd Chapman destacou o “trabalho sério” desenvolvido no combate ao desmatamento ilegal e chegou a colocar o estado como ‘modelo a ser seguido’ nesta seara. “Eu vejo muitas oportunidades para nossa relação com Mato Grosso ser maior”, destacou.

Por outro lado, o governo norte-americano mostra certa resistência em manter contato com o Palácio do Planalto. Após se opor a Joe Biden, por sua fidelidade cega a Trump, Bolsonaro até chegou a escrever uma carta pedindo apoio dos EUA, mas ainda não recebeu sequer uma ligação do presidente norte-americano após mais de 120 dias de governo. Segundo o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, isso se deve à agenda “inacreditavelmente lotada” do presidente norte-americano.

Inacreditável é ver como o Brasil deixou de ser uma prioridade na política externa norte-americana para ser escanteado, apesar de ter ajoelhado para a administração dos EUA durante todo o governo Trump. Além de não conseguir nada, esse alinhamento automático e puramente ideológico às filosofias do antigo presidente resultou apenas em uma indisposição desnecessária com a China, nosso maior parceiro comercial e fornecedor de insumos para as vacinas em uso no país.

Se o Brasil não sabe fazer política externa pragmática e estratégica, os norte-americanos mostraram que essa é a tônica da conversa. Ao fechar acordo com Mato Grosso e ignorar o governo federal, os EUA deixam claro que só vão ‘assinar um cheque’ se conseguirem ver ações, não apenas palavras doces recheadas de mentiras.

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