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Opinião Domingo, 07 de Janeiro de 2024, 11:38 - A | A

Domingo, 07 de Janeiro de 2024, 11h:38 - A | A

JOSÉ LUIZ RAYMON

O privilégio de ser Psicólogo

José Luiz Raymon*

Tenho por certo que trabalhar com a Psicologia é trabalhar com a diversidade, é se deparar com a vida como ela realmente é. Indo mais além, é como trabalhar com a verdade, a verdade das pessoas, a verdade dos pensamentos, a verdade sobre a saúde e também a verdade dos fatos. Entre quatro paredes não há rótulos nem status social, não há segredos, não há estigmas nem medos. Nisso vejo a grandeza da Psicologia: permitir trabalhar com as pessoas como elas realmente são. Isso me impressiona muito como ser humano, considerando o contexto das bolhas sociais, estigmas e aparências da sociedade em que vivemos. Enfim, ser Psicólogo é um privilégio.

O aspecto opinativo e reflexivo que escrevi no parágrafo anterior não distancia a seriedade técnica da clínica psicológica. As interpretações e intervenções que apresento são recebidas inicialmente como confiáveis pelos pacientes e podem impactar negativamente a saúde de alguém caso eu não seja ético e fundamentalmente preciso no protocolo clínico. Em outras palavras, parece simples ser Psicólogo, mas não tem nada de simples.

Inclusive, é por esse motivo que entendo o acompanhamento psicológico como um xadrez de alto nível. No tabuleiro clínico tenho que mover peças, interpretar movimentos e delinear estratégias. Considerando ainda que tenho um limite de tempo e também há as limitações das informações, já que não conheço a pessoa que está diante de mim e mesmo passando numerosas sessões e muitas horas somadas isso não chega nem ao centésimo de milésimos do quão extensa e complexa é a vida dela. É um xadrez que exige inteligência e seriedade, mas é um xadrez que gosto de jogar!

Mais uma vez, o que escrevi anteriormente também não distancia outro fator que é a naturalidade das relações humanas. Existem aspectos prazerosos e naturais em meio a tanta seriedade, e um deles é o bom vínculo terapêutico. Sempre que oportuno, eu ligo a cafeteira da sala, preparo dois expressos, coloco as xícaras sobre os pires e então começamos a sessão com o que há de melhor na vida: um bom diálogo tomando café! O vínculo permite o respeito e a confiança no trabalho técnico, mas também permite a espontaneidade, os risos, abraços, piadas e construções de histórias que ultrapassam os objetivos clínicos iniciais. É um privilégio sem igual.

A Psicologia é transformadora e tem muito a oferecer. A minha atuação como psicólogo é justamente intermediar essa transformação. Estou pronto e já anseio novos desafios clínicos para 2024! Um excelente começo de ano para todos!

*José Luiz Raymon é Psicólogo Clínico em Rondonópolis – MT. E-mail: [email protected]

 
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