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Cidades Quarta-feira, 21 de Abril de 2021, 16:41 - A | A

Quarta-feira, 21 de Abril de 2021, 16h:41 - A | A

À MARGEM

Pandemia escancara vulnerabilidade de mulheres e negros à situação de miséria e fome

Cátia Alves
Editora Adjunta

A pesquisa realizada pela Universidade Livre de Berlim em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade de Brasília - que revelou que mais da metade das famílias brasileiras já não conseguem por itens básicos no prato - também revela que as casas chefiadas por apenas uma pessoa são as mais afetadas (66,3%), sobretudo quando se trata de uma mulher (73,8%) ou pessoa negra (67,8% para autodeclarados pardos e 66,8% para pretos). As famílias que possuem crianças de até 4 anos também sofrem mais dificuldades (70,6%). Cerca de 75,5% das famílias que moram em área rural apresentam vulnerabilidade contra 55,7% das famílias das áreas urbanas.

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“A análise dos dados sobre o perfil de consumo de alimentos conjugados com a proporção da insegurança alimentar nos domicílios brasileiros, mostra a gravidade da carência ao acesso a alimentos saudáveis que os lares brasileiros têm passado durante a pandemia, que afeta sobretudo alguns estratos da população brasileira: mulheres, pessoas de cor ou raça preta e parda, moradores das regiões Norte e Nordeste e de áreas rurais, domicílios com crianças e com menor renda per capita”, diz trecho do relatório.

Beneficiários de programas assistenciais apresentam maior índice de insegurança alimentar. Conforme a pesquisa, 88,2% dos beneficiários do Bolsa Família não tem acesso aos alimentos básicos para uma dieta saudável. Esse índice cai para 74,1% entre os beneficiários do auxílio emergencial e 56,4% entre os aposentados.

Dos beneficiários do auxílio emergencial, 63% disseram que usaram o dinheiro para comprar comida, outros 27,8% usaram para pagar dívidas e 9,2% aplicaram em outras finalidades. Com base nos dados, o estudo conclui que a insegurança alimentar poderia ser ainda maior caso não houvesse o auxílio emergencial.

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