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Economia Terça-feira, 29 de Dezembro de 2020, 11:08 - A | A

Terça-feira, 29 de Dezembro de 2020, 11h:08 - A | A

FINALMENTE

Preço da carne deve começar a cair nos próximos dias

Priscilla Silva

Após atingir preços recordes, a carne bovina deve ficar mais barata nos próximos dias. O preço da arroba do boi gordo à vista em Mato Grosso caiu 10% para o produtor nos últimos trinta dias. A queda ocorreu entre os dias 17 de novembro e dezembro, como um reflexo da redução do consumo após a frenética valorização da proteína no mercado interno e externo. Contudo, a redução no preço da carne bovina ainda não foi percebida pelo consumidor final. 

O preço do boi gordo à vista atingiu o patamar dos R$ 200 por arroba no dia 18 de agosto. Desde então, não caiu mais. Os valores no mercado subiram ainda mais, atingindo um pico de R$ 266,40 no dia 17 de novembro. A partir daí, o preço da arroba voltou a cair, chegando ao dia 17 de dezembro na cotação de R$ 239,04. Redução de 10% em trinta dias.

A queda no valor pago ao produtor atingiu os frigoríficos, mas ainda não foi sentida pelos consumidores do varejo neste fim de ano. Uma das razões para isso está nos estoques dos supermercados, que ainda não conseguiram terminar o ‘giro no estoque’.

“Com o mercado instável, a alta de preços no balcão freou as vendas no varejo. O recuo de preço foi muito mais expressivo no atacado e na arroba do boi, porém muito menor para o consumidor final. Os mercados com estoques em preços maiores não repassaram as baixas para o consumidor final esperando a saída de seus produtos sem prejuízo. Isto acabou não fomentando uma venda mais expressiva”, explica Paulo Bellicanta, presidente Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo/MT).

Apesar da tendência de queda, o especialista aponta que a previsão é que o preço da proteína volte a subir após o mês de janeiro. No entanto, não deve atingir os valores históricos registrados entre outubro e novembro deste ano.

“Com o abate reduzido, neste momento, a tendência é de uma certa recuperação dos preços, porém sem voltarem aos patamares anteriores verificados no final de outubro, começo de novembro. O grande medo, agora, reside no comportamento da economia e uma certa ‘ressaca’ do mercado, além da falta do auxílio governamental”, aponta Paulo.

A ressaca à qual Bellicanta se refere é a redução sazonal do consumo durante os meses de janeiro, depois que as famílias esbanjaram nas festas de fim de ano e tiraram férias.

“As pessoas estão cobrindo despesas de cartão de crédito, muitos estão de férias [não terão salário no próximo mês] então, o consumo cai normalmente neste ano. Além disso, você terá uma significativa queda de valores injetados na economia pelo governo através da ajuda emergencial”, reforça Paulo.

A preocupação com o fim do auxílio emergencial, a partir de janeiro, atinge o setor em cheio. O benefício, hoje em R$ 300, fomentou o consumo de alimentos por famílias de baixa renda. Um reflexo desse comportamento foi observado nos resultados dos supermercados, que tiveram crescimento de mais de 5% nas vendas até outubro.

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