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Economia Domingo, 17 de Março de 2024, 07:58 - A | A

Domingo, 17 de Março de 2024, 07h:58 - A | A

ALÍVIO AOS PRODUTORES

Preço da soja reage e saca volta a custar mais de R$ 100 em Mato Grosso

Da Redação

Faltando pouco para o fim da colheita de soja em Mato Grosso, o preço da saca de 60 quilos voltou a subir neste começo de março e passou a marca de R$ 100 no estado. Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a saca de soja fechou a quinta-feira, 13, cotada a R$ 103,46 em Mato Grosso.

O preço da soja no começo desta semana representa uma melhora significativa para os produtores em relação ao que foi registrado nos últimos dias de fevereiro, quando a saca chegou a ser comercializada por R$ 95. Apesar disso, ainda se mantém bem longe do patamar ideal para garantir a lucratividade da safra, registrando preços até 30% inferiores em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), os preços da soja estão subindo neste mês de março devido ao aumento na demanda, tanto da indústria nacional quanto dos compradores internacionais.

“Representantes de indústrias nacionais também buscaram aumentar as aquisições do grão com recebimento imediato, no intuito de garantir parte do estoque. Além disso, esses demandantes estão atentos às incertezas sobre a produção nacional de soja, tendo em vista a produtividade irregular em grande parte dos estados brasileiros”, diz a nota.

Apesar do aumento da intenção de compra, os produtores ainda têm receio em vender a soja pelos preços atuais, influenciados principalmente pelo alto custo de produção da safra. Conforme relatório de mercado do Imea, as vendas seguem travadas mesmo após a melhora dos preços. Como resultado, a comercialização da safra 2023/24 está em 46,32%, quase 20 pontos percentuais atrás da média dos últimos cinco anos, que é de 65,34% para esta semana do ano.

“As vendas para o ciclo seguem travadas devido ao preço pouco atrativo da soja futura no momento e aos altos patamares do custo de produção, o que tem deixado o produtor fora do mercado para grandes negociações”, aponta o Imea.

Ainda há muita incerteza quanto à tendência dos preços da soja. Apesar de a produção brasileira ter sofrido uma queda nesta safra, Argentina, Paraguai e Uruguai registraram aumentos expressivos na produção.

“[...] a grande oferta está atrelada ao Uruguai, à Argentina e ao Paraguai, que aumentaram as estimativas de produção em 314,29%, 100,00% e 2,49% ante a safra 22/23, respectivamente. Por fim, essa maior disponibilidade originária da América do Sul tem impactado diretamente na pressão nos preços da soja em Chicago e, consequentemente, no mercado interno dos países fornecedores”, diz o relatório do Imea.

Nesta situação, os produtores de Mato Grosso ainda esperam a conclusão da colheita para medir com precisão o impacto da seca nesta safra. Historicamente, as últimas áreas de colheita são aquelas que apresentam menor produtividade. Porém, desta vez o Imea avalia que podem ser essas últimas áreas colhidas que apresentarão maiores rendimentos, já que contaram com condições climáticas melhores.

Com essa perspectiva, o Imea manteve projeção de queda de 15,17% na produção de soja nesta temporada, totalizando 38,44 milhões de toneladas em Mato Grosso.

 
 
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