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Opinião Quinta-feira, 24 de Junho de 2021, 10:40 - A | A

Quinta-feira, 24 de Junho de 2021, 10h:40 - A | A

EDITORIAL - 24/06/2021

Ato de cidadania

A falta de vacinas voltou a paralisar a campanha de vacinação em Cuiabá e outras capitais nesta quarta-feira (23), expondo mais uma vez a terrível falha brasileira no combate à pandemia. Já passamos o quinto mês da campanha nacional de imunização contra o coronavírus e menos de um terço da população recebeu a primeira dose. A demora para aquisição de vacinas por parte do governo federal e todas as dificuldades enfrentadas para garantir o suprimento do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) aos laboratórios nacionais continuam a cobrar um alto preço.

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Ainda estamos muito longe de atingir a marca ideal para frear o avanço do vírus. Até o momento, apenas 30,4% dos brasileiros recebeu a primeira dose da vacina. Já a quantidade de pessoas que recebeu a segunda dose é menor ainda, na ordem de 11,5%, segundo os dados mais recentes do SUS. A situação não é muito diferente em Mato Grosso. Até o momento, apenas 33% da população vacinável em Mato Grosso (pessoas com mais de 18 anos) recebeu a primeira dose e 11,9% concluíram o esquema vacinal.

Para se ter ideia de qual longe estamos do ‘ponto de virada’, os epidemiologistas afirmam que é necessário imunizar completamente (com as duas doses) cerca de 70% da população brasileira para conseguir frear o avanço do vírus. Isso, no entanto, depende da cepa que está em circulação no país. Dados mais recentes apontam que o percentual de pessoas vacinadas pode ser ainda maior se quisermos conter a variante amazônica do coronavírus, que tem poder de infecção 50% maior.

Diante disso, é impressionante e perigoso que tantas pessoas continuem se recusando a tomar a vacina, especialmente em Cuiabá, onde quase mil pessoas deixam de comparecer todos os dias aos postos de vacinação, segundo dados da Prefeitura. É preciso lembrar que a vacinação é uma questão coletiva, especialmente no caso do coronavírus, um patógeno extremamente eficiente em adaptar-se. Ou seja, ao deixar de se vacinar por qualquer motivo, o cidadão põe em risco não apenas a sua vida, mas a segurança de toda sua comunidade, mantendo-se como um vetor da doença.

Recusar-se a tomar uma vacina, por qualquer motivo, é sobretudo uma afronta à memória de mais de meio milhão de compatriotas que perderam suas vidas para esse terrível vírus, pois não tiveram sequer a chance de se proteger. Só o avanço da vacinação será capaz de impedir uma tragédia ainda maior em nosso país. Só com mais pessoas vacinadas é que conseguiremos dizer adeus a esses dias terríveis, deixando-os apenas nas páginas da história.

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