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Opinião Sábado, 05 de Junho de 2021, 10:42 - A | A

Sábado, 05 de Junho de 2021, 10h:42 - A | A

EDITORIAL - 05/06/2021

Luz no fim do túnel

A liberação para aquisição da vacina russa Sputnik V, comprada por Mato Grosso e mais 14 estados, além do distrito federal, promete ‘dar um gás’ na lenta campanha de vacinação brasileira. Nos permite ver uma luz no fim do túnel, uma saída segura para as múltiplas crises causadas pelo novo coronavírus. Afinal, há quase 100 milhões de doses em jogo, quantidade mais que suficiente para ‘dar um choque’ no Programa Nacional de Imunização (PNI), visto que representa o total de doses entregues, até agora, pelo governo federal.

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Os próprios técnicos da Anvisa declararam sua preocupação com a lentidão do programa de vacinação brasileiro, principalmente diante do crescente número de casos, que fez vários estados voltarem a registrar fila de pacientes na fila por um leito de UTI. Diante da inércia do governo federal, a Anvisa decidiu ‘sair do caminho’ dos governadores, que têm tentado há vários meses comprar a vacina russa.

"Nós estamos pressionados sim, pela morte e a sequela das pessoas, pelas pessoas que precisam ser internadas", destacou Alex Machado Campos, relator do processo na Anvisa, antes de apresentar seu voto pela liberação, com algumas restrições.

O posicionamento da Anvisa é muito claro: a Sputnik V tem sido amplamente usada e tem dados positivos sobre sua eficácia e segurança, embora ainda não sejam tão conclusivos. Ainda assim, o risco de não ter vacinas é muito maior do que o de liberar a aplicação de um imunizante que está apresentando bons resultado na Rússia, na Argentina e nos mais de 60 países que já aprovaram seu uso.

Para Mato Grosso, a decisão da Anvisa é muito boa. O governador Mauro Mendes (DEM) fechou dois contratos para aquisição da vacina russa, garantindo doses suficientes para imunizar toda a população mato-grossense. São 1,2 milhão de doses compradas diretamente, por meio de uma articulação junto ao Consórcio Nordeste, enquanto um segundo acordo com o Consórcio Brasil Central garante outras 2 milhões de doses.

Por um capricho técnico da Anvisa, não utilizaremos todas as doses de uma só vez. A agência quer ir com calma, pois considera que os dados apresentados pela Federação Russa ainda não estão completos e apresentam algumas “lacunas informacionais”. Por isso, a agência brasileira decidiu impor algumas restrições ao uso da Sputnik. A vacina só poderá ser aplicada em pessoas saudáveis e seu uso será monitorado de perto, para garantir uma avaliação nacional sobre sua eficácia. Resumidamente, é como se a Anvisa estivesse conduzindo um estudo próprio sobre a Sputnik, como foi feito anteriormente pelos laboratórios responsáveis pelas vacinas que já estão em amplo uso no Brasil.

O posicionamento da Anvisa sobre a Sputnik V deve ser visto como um voto de confiança aos resultados positivos que a vacina russa tem apresentado ao redor do mundo. Vamos com calma sim, como fizemos com as demais vacinas que hoje já se mostram seguras. Em meio à guerra que enfrentamos contra o coronavírus, o mais importante é ter armas. E a vacina é a melhor de todas as armas.

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