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Opinião Quinta-feira, 15 de Setembro de 2022, 10:55 - A | A

Quinta-feira, 15 de Setembro de 2022, 10h:55 - A | A

VIVALDO LOPES

Mato Grosso competitivo

Vivaldo Lopes

Nesta última terça feira (13) o Centro de Liderança Pública (CLP), organização sem fins lucrativos, publicou estudo denominado “Ranking de Competitividade dos Estados 2022”. O estudo econômico, elaborado em parceria com a consultoria econômica Tendências, utiliza dados de domínio público e sua metodologia é espelhada na utilizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, para avaliar as melhores práticas de governança pública e ambiente de negócios dos países que compõem aquela instituição. A elaboração e divulgação do estudo objetiva promover a competitividade entre os estados brasileiros, melhorar o ambiente de negócios e a qualidade de vida das respectivas populações. O Ranking de Competitividade dos Estados considera dez pilares temáticos: infraestrutura, sustentabilidade ambiental, sustentabilidade social, segurança pública, educação, capital humano, solidez fiscal, eficiência pública, potencial de mercado e inovação.

No Ranking, Mato Grosso aparece na 5ª. posição entre as 27 unidades federativas. Atrás apenas de São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Distrito Federal. Análise mais detalhada da metodologia e dos indicadores mostra que os fatores mais fortes do estado foram a solidez fiscal e infraestrutura. Os indicadores nos quais Mato Grosso obteve menor pontuação foram sustentabilidade ambiental, capital humano, educação e segurança pública.

 

Os dados disponíveis no estudo podem ser utilizados pelos gestores públicos como instrumento sólido e com alta credibilidade no mundo empresarial para atrair investimentos produtivos para o estado. Pode, também, ser uma poderosa ferramenta para a elaboração, implementação e avaliação de políticas públicas. O estudo não consegue, pela sua metodologia, captar com clareza os espectros das desigualdades sociais e regionais bastante marcantes na realidade de nosso estado.

Do lado empresarial, entendo que o estudo, que levanta, mensura e compara 86 variáveis de diversas tipificações, deve ser considerado nas decisões de alocação e otimização de investimentos. O trabalho exercita análises comparativas entre os estados e regiões e detalha o potencial de desenvolvimento econômico sustentável de cada um. Ademais, empreendedores privados e administradores públicos podem acessar o estudo completo gratuitamente.

A excelente posição alcançada por Mato Grosso confirma a trajetória de alta performance da economia do estado nas últimas décadas, impulsionada pelo setor agropecuário e, mais recentemente, pela agroindustrialização. Ao mesmo tempo, expõe as áreas que ainda apresentam desafios e necessidade de melhoras contínuas. Os setores nos quais os desafios são mais expressivos são educação, qualificação do capital humano e melhorias continuadas na segurança. Simultaneamente, o estudo econômico, que é muito considerado por bancos, empreendedores, analistas econômicos, grandes grupos empresariais, coloca Mato Grosso em posição privilegiada no radar de investimentos nacionais e internacionais ao apontar os setores da atividade econômica com grande potencial para crescimento, Áreas como indústria de celulose, fertilizantes, têxtil, maquinários agrícolas, movelaria merecem atenção especial por apresentarem vantagens competitivas em relação a outros estados e regiões. Algumas regiões mais desenvolvidas do sul e sudeste apresentam sinais de saturação econômica e outros estados ainda convivem com deficiências consideráveis para fornecimentos de matérias primas e logística de transportes mais deficientes que a nossa. Os novos marcos regulatórios nacionais do saneamento e ferrovias criaram excelentes oportunidades de investimentos em Mato Grosso.

Em suma, o Ranking apresenta um Mato Grosso bem competitivo, abre uma grande janela de oportunidades de negócios que auxiliarão na longa jornada da transição para uma economia mais industrializada, desenvolvida, ao mesmo tempo que nos alerta sobre a necessidade de compatibilizar crescimento com extinção dos bolsões de pobreza e redução das desigualdades regionais ainda tão presentes em nosso dia a dia.

 

Vivaldo Lopes é economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia. É pós-graduado em MBA- Gestão Financeira Empresarial pela FIA/USP. E-mail: [email protected]

 
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