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Opinião Sexta-feira, 02 de Setembro de 2022, 11:04 - A | A

Sexta-feira, 02 de Setembro de 2022, 11h:04 - A | A

PEDRO EUGENIO DA SILVA

Mineração de ouro: menos teoria, mais prática

Pedro Eugenio da Silva

A mineração de ouro de pequeno e médio porte desenvolvida no estado de Mato Grosso tem, cada vez mais, ganhado destaque, seja pela produção, pelo crescimento, mas principalmente pelas boas práticas e iniciativas fomentadas pelo setor como um todo.

No mês de julho, ocorreu um evento que abrilhantou o setor de mineração, o 3º Seminário de Mineração do Norte de Mato Grosso, ocorrido em Guarantã do Norte. O evento contou com a participação de importantes representantes tanto do âmbito público, quanto privado, reunindo lideranças, mineradores, representantes de cooperativas e associações, além de demais interessados no desenvolvimento da sustentabilidade, crescimento e maturação do segmento.

 

O evento mostrou a grande relevância do setor para o Brasil e para o mundo, e os incentivos e recursos gerados pela mineração de ouro de pequeno e médio porte. Além disso, o evento propiciou discussões e propostas acerca da sustentabilidade, rastreabilidade e certificação das minas de ouro e ao final provocou a iniciativa privada para que tomasse frente de uma autorregulação setorial.

Propiciar o desenvolvimento dessa cadeia mineral de forma sustentável é uma tarefa árdua, pois sabemos que tirar de circulação o ouro ilegal não é fácil, mas perfeitamente possível. Para isso, esses debates são de suma importância, pois é preciso que haja a união de forças de todos os envolvidos nesta cadeia produtiva, visando que a extração do mineral ocorra de forma sustentável, aliado a boas práticas, e em parceria com os órgãos reguladores, agentes públicos e a comunidade local, levando desenvolvimento e progresso às regiões próximas as zonas auríferas.

No seminário, a conclusão unânime foi que isso só será possível com implantação de ações, e não apenas teorias, que permitam a desmistificação, como por exemplo a rastreabilidade do metal, garantia de procedência e originação com conformidade.

Existem excelentes e reais exemplos, evidenciados durante o evento, não apenas no norte de Mato Grosso, mas também na baixada cuiabana, que, juntos são responsáveis por mais de 80% da produção de ouro advindo de pequenos produtores no estado.

Hoje, a baixada cuiabana é pioneira no programa da Associação Suíça Ouro Responsável (Swiss Better Gold Association), que certifica as pequenas e médias mineradoras para a exportação sustentável do minério.

Inspirado neste exemplo internacional, durante o 3º Seminário de Mineração do Norte de Mato Grosso, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) sugeriu a criação de um certificado regulamentado pela entidade à cadeia produtiva do ouro, para auxiliar no combate a extração e comércio ilegal no país.

As cooperativas são muito importantes nesse processo, pois contribuem com a conscientização dos cooperados sobre a preservação do meio ambiente.

Sendo assim, precisamos parabenizar todos os envolvidos no evento, pela iniciativa em apresentar a realidade atual da mineração, quebrando paradigmas e evidenciando o empenho do setor em erradicar a imagem distorcida do segmento. Além de salientar a importância do setor minerário de pequena escala no cenário nacional e internacional, e mais uma vez, tivemos a certeza de que a iniciativa privada deve protagonizar a mudança.

*Pedro Eugenio Gomes Procópio da Silva, é diretor de operações da Fênix DTVM, instituição financeira autorizada pelo Banco Central do Brasil e responsável pelo projeto Ouro do Bem. 

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