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Polícia Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2021, 10:35 - A | A

Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2021, 10h:35 - A | A

DESESPERADOS

Pais de jovem sequestrado por engano pelo CV oferecem recompensa

Fernanda Renaté

Os pais do jovem paranaense Douglas Silvério Gomes, de 24 anos, desparecido há quase dois meses, estão oferecendo recompensa de R$ 1 mil para quem der informações sobre o paradeiro do filho.

A família procurou a polícia no dia 1º de janeiro deste ano. Douglas viajava do Paraná, onde mora com a família, para Campo Verde (101 km de Cuiabá), para passar o fim de ano com familiares e namorada, mas desapareceu após as comemorações.

Na época, um parente de Douglas, contou que os supostos sequestradores entraram em contato com ele pedindo dinheiro para que liberassem o jovem.

“Eles [sequestradores] me pediram para pagar uma pendência de R$ 7 mil dele [filho], mas eu disse que não tinha esse valor, então eles disseram que o Douglas ficaria trabalhando com eles”, contou.

Depois de negociar, Augusto disse que transferiu R$ 2 mil para a conta dos criminosos no dia 3 de janeiro. No entanto, o perfil das redes sociais do filho, onde ele mantinha contato com os supostos sequestradores, foi excluído e a família não teve mais contato.

Sem notícias do filho, os pais estão oferecendo dinheiro para quem tiver informações que ajudem a localizá-lo. A recompensa só será paga se a informação for verdadeira.

A reportagem conversou com a mãe do jovem que relatou estar vivendo à base de medicação para dormir, por causa da angústia de não saber se o filho ainda está vivo. "Minha vida parou, não consigo ter um sorriso no rosto. Não tenho mais vontade de nada, só tenho tristeza em meu coração", desabafou.

Ela também para que as pessoas não passem trotes. "Por favor, porque aqui tem uma mãe desesperada procurando pelo filho", pediu.

Na época do desaparecimento, Douglas teria sido sequestrado por integrantes do Comando Vermelho (CV) que acreditavam que ele fazia parte da organização criminosa rival, o Primeiro Comando da Capital (PCC). A família nega o envolvimento. Um vídeo relatando esse medo foi enviado a parentes e foi reproduzido pela imprensa.

“O bagulho aqui é louco, aqui a facção é Comando Vermelho, no Paraná é PCC! Eu tô falando porque eu tô com medo, medo pra c******”, desabafou.

RELEMBRE O CASO

Segundo informações, Douglas é usuário de drogas e na madrugada do dia 1º teria tido uma crise de abstinência. Ele se levantou e saiu da residência para comprar entorpecentes para o consumo.

Do lado de fora da casa, ele teria sido abordado por pessoas ainda não identificadas perguntando de qual facção ele era integrante. A desconfiança é de que ele tenha sido confundido como membro do PCC por ter uma tatuagem muito parecida com a usada por integrantes da facção.

Um familiar teria dito também que recebeu uma mensagem dizendo que viram Douglas sendo levado por suspeitos a uma casa, amarrado. A família, no entanto, teme estar sendo enganada pelos famosos “trotes”. Um boletim de ocorrências foi registrado pela namorada de Douglas sobre o desaparecimento do rapaz.

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