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Brasil Quarta-feira, 02 de Junho de 2021, 15:32 - A | A

Quarta-feira, 02 de Junho de 2021, 15h:32 - A | A

ENCRENQUEIROS E CRIMINOSOS INTERNACIONAIS

Além do médico no Egito, conheça outros brasileiros que foram presos no exterior

G1

No domingo, o médico gaúcho Victor Sorrentino foi detido no Egito após publicar um vídeo nas redes sociais em que constrange uma vendedora egípcia. Ele chegou a pedir desculpas em uma nova publicação, mas, na terça-feira (1º), o Ministério Público do Egito prorrogou por mais quatro dias sua detenção, enquanto ele é investigado por assédio sexual.

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O médico e muitos de seus seguidores ficaram chocados com a punição para o que chamaram de “brincadeira” e pelo caso ter sido considerado um crime pelas autoridades egípcias, que podem inclusive deportar o médico brasileiro.

Segundo o governo brasileiro, que cita dados de dezembro de 2019, há pelo menos 4.982 brasileiros presos em 78 outros países, em sua maioria homens, acusados principalmente de narcotráfico e posse de drogas, seguidos por crimes contra pessoas (homicídios ou agressões) e contra patrimônio (roubos, furtos, vandalismo etc).

Sorrentino, no entanto, não é um caso isolado. Diversas vezes brasileiros já chamaram atenção ao serem presos no exterior em circunstâncias fora do comum.

Lembre a seguir algumas dessas situações:

Remédio proibido na Rússia

Reprodução

Robson

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um caso bastante recente é o de Robson Oliveira, que passou dois anos preso na Rússia e retornou ao Brasil no dia 5 de maio. Ex-motorista do jogador de futebol Fernando, que atualmente joga no Beijing Guoan, da China, ele foi detido em março de 2019, acusado de transportar duas caixas de Mytedom 10mg (cloridrato de metadona).

O remédio é liberado no Brasil, mas é tratado como entorpecente na Rússia. A defesa de Robson justificou que a encomenda era para o sogro do volante Fernando, que estava na Rússia e sofre de dores crônicas.

O motorista tinha sido condenado a 20 anos de prisão, e sua soltura teve a intervenção do governo federal, que negociou com as autoridades russas um indulto. Ao chegar ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, ele foi recebido pelo presidente Jair Bolsonaro.

Fortuna no colchão

Embora lavagem de dinheiro não seja exatamente um delito incomum, esconder US$ 20 milhões debaixo do colchão não é muito normal. Foi isso que Cléber Rene Rizério Rocha, na época com 28 anos, foi pego fazendo em janeiro de 2017 pela polícia dos EUA.

Ele era acusado de conspiração para cometer lavagem de dinheiro em caso ligado à investigação TelexFree e foi preso em Westborough, no estado de Massachusetts, escondendo uma fortuna que, na época, valia cerca de R$ 64 milhões, e hoje equivaleria a mais de R$ 103 milhões.

Promovida como uma companhia de internet e telecomunicações, a TelexFree se tratava, na verdade, de um esquema de pirâmide de dinheiro, de acordo com investigadores.

Terrorismo na Ucrânia

Reprodução

Soldado rebelde

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rafael Lusvarghi foi detido em 6 de outubro de 2016, em Kiev, sob acusação de terrorismo por ter lutado contra o exército ucraniano ao lado de tropas militares rebeldes. Ele passou mais de um ano preso e foi solto em 18 de dezembro de 2017.

Em uma carta escrita na prisão, Rafael admite que, entre setembro de 2014 a outubro de 2015, lutou contra o exército ucraniano ao lado das tropas militares rebeldes que queriam a independência política de dois territórios do país. Pretendiam criar a República Popular de Donetsk (RPD) e a República Popular de Lugansk (RPL). Pela lei ucraniana, no entanto, isso caracteriza terrorismo e Rafael foi acusado pela polícia local de ser “mercenário” e “assassino profissional”.

Com o cessar fogo no país europeu, o conflito acabou. Rafael voltou a Jundiaí, no interior de São Paulo, onde nasceu e mora sua família. Mas como não conseguiu emprego, aceitou proposta de trabalho como segurança de navios ucranianos no Chipre, país no leste do Mar Mediterrâneo. Porém, ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Kiev-Borispol, na Ucrânia, foi preso pelo serviço secreto ucraniano, em 2016.

Depois disso, ele voltou a conseguir liberdade e, recentemente, foi preso no interior de São Paulo com drogas e munições.

Chá na Rússia

Reprodução

vovozinho do chá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O pesquisador paraibano Eduardo Chianca, na época com 66 anos, carregava quatro garrafas de ayahuasca, um chá utilizado em terapias e rituais, quando foi preso na Rússia, em agosto de 2016. A substância é liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas lá ele foi acusado de tráfico internacional de drogas.

Após passar por aquele país, ele ainda faria palestras na Ucrânia, Suiça, Holanda e Espanha. Chianca desenvolveu uma prática alternativa que lhe rendeu reconhecimento internacional. A Frequências de Luz, como foi batizada, trabalha os diagnósticos a partir da leitura dos chacras e seu equilíbrio.

Após ter sido condenado a três anos de prisão, ele chegou a cumprir dois anos e quatro meses de regime fechado na Rússia e o então presidente Michel Temer interveio. Ele retornou ao Brasil e conseguiu que a Justiça o liberasse para cumprir o restante da pena em liberdade condicional.

Ameaça de bomba nos EUA

Reprodução

encrenqueiro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um “trote” custou um ano de prisão a um jovem do interior de São Paulo em 2014. Francisco Fernando Cruz aceitou um desafio de colegas na internet e enviou um e-mail com uma falsa ameaça de bomba em um avião da TAM Linhas Aéreas (atual Latam), que partiria de Miami para Brasília. Ele mandou a mensagem de dois computadores: de uma faculdade e do apartamento onde morava, ambos na cidade de Montclair, em Nova Jersey.

No dia em que deveria voltar a Sorocaba para renovar seu visto, ele foi abordado, teve sua bagagem revistada e foi detido. Francisco foi preso no aeroporto de Miami no dia 9 de janeiro de 2014, dentro do avião que o traria de volta ao Brasil depois de passar um ano e meio estudando e trabalhando em Nova York. Ele lembra que foi um susto ser abordado por uma equipe tão grande. “Eu estava sentado na minha poltrona quando vi uns dez agentes do FBI, da CIA e da polícia de Miami entrando no avião. Na hora, pensei: ‘nossa, deve ter alguém muito perigoso aqui dentro’. E no fim, era eu”, relatou ao G1 na época.

Nos meses seguintes, ele passou por penitenciárias de três estados americanos e dividiu cela com até 60 presos estrangeiros. Ao retornar ao Brasil, foi acompanhado por dois agentes de segurança no voo e foi proibido de retornar aos EUA por um período de dez anos.

Cuiabá MT, 18 de Julho de 2024