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Economia Sexta-feira, 18 de Novembro de 2022, 14:06 - A | A

Sexta-feira, 18 de Novembro de 2022, 14h:06 - A | A

CICLO DA PECUÁRIA

Pecuaristas mandam mais fêmeas pro abate para melhorar os preços

Da Redação

Pecuaristas estão aumentando de forma significativa o abate de fêmeas, na tentativa de melhorar o caixa das propriedades e ofertar mais carne à população. Conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), houve aumento de 13% no abate de vacas entre janeiro e outubro, na comparação com o mesmo período de 2021.

O Imea aponta que foram abatidas 1,6 milhão de fêmeas em 2022, contra 1,4 milhão em 2021. Já o abate de machos saiu de 2,3 milhões para 2,4 milhões, aumento de 4%. Portanto, a tendência de curto prazo é que ocorra uma redução do preço da proteína, justamente no período em que há estímulo do consumo, com a realização da Copa do Mundo e as demais festividades de final de ano.

 

“O que a gente precisa é de consumo. Nós tivemos 2 anos em que houve uma retração no consumo. Nesse ano, já há um aumento na quantidade do consumo per capita da população brasileira. Precisamos que esse consumo aumente”, afirma Nilton Mesquita, gerente de relações institucionais da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat).

Com o aumento do abate de fêmeas, os produtores também têm como objetivo elevar o preço da arroba, que sofreu redução nos últimos meses e se mantém abaixo do desejado nos últimos anos. Nilton explica que houve uma retenção muito grande de fêmeas nos últimos anos, resultando em maior oferta de machos e, consequentemente, redução do preço da arroba.

“Com a entrada desses bezerros que nasceram há um ano e pouquinho, houve uma elevação da oferta de animais. Com essa elevação, a arroba teve a tendência de queda. Com essa tendência de queda, os produtores têm a situação de abater as suas fêmeas. Então, nós estamos dentro do ciclo pecuário, que já foi pouco mais amplo”, pontua Nilton.

Além do descarte das fêmeas que não são úteis para reprodução, outro fator que tem contribuído para o aumento de abate é a produção da ‘carne premium’, que tem origem principalmente nas fêmeas. Isso tem contribuído para a redução do ciclo da pecuária, que hoje é de 4 a 5 anos. Somado a isso, há o fator ‘boi China’, que é abatido com no máximo 30 meses (dois anos e meio).

Esse movimento dos produtores tem por objetivo inicial melhorar os caixas das fazendas, o que aumenta a oferta de carne e reduz preços. Já em médio e longo prazo, caso a cadeia esteja desestimulada com o preço estagnado da arroba, pode ocorrer a redução de animais no mercado, forçando um aumento de preços.

Pecuaristas reclamam que o valor da arroba se mantém no mesmo patamar, ou em queda, nos últimos anos. Porém, os custos de produção, como insumos para melhorar o pasto e construção de cercas, aumentaram exponencialmente. Em novembro de 2021, a arroba do boi gordo era comercializada a R$ 269, segundo dados do Imea. Já nesse ano, o preço da arroba está em R$ 239, uma redução de 11%.

“A gente tem que destacar que o consumo de carne caiu muito nos últimos anos e a reposição financeira para o produtor está uma situação meio demandada. Nós passamos 2 anos de uma inflação de 2 dígitos e hoje a arroba é praticamente a mesma de 2 anos atrás. Enquanto isso, os custos de produção subiram e chegaram a uma situação estratosférica”, conclui Mesquita.

 
 
 
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