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Opinião Terça-feira, 22 de Junho de 2021, 10:26 - A | A

Terça-feira, 22 de Junho de 2021, 10h:26 - A | A

EDITORIAL - 22/06/2021

A guerra nossa de cada dia

Desde o começo de 2021, o brasileiro já sabia que, cedo ou tarde, ultrapassaríamos a marca de 500 mil vítimas da covid-19, o que não tornou menos difícil receber – ou dar – essa notícia. Faltam comparativos expressivos o suficiente para demonstrar o tamanho da tragédia. É como se, de uma hora para a outra, uma cidade quase do tamanho de Cuiabá deixasse de existir. Pior disso é saber que muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas, primeiro com a coordenação nacional dos esforços de combate à pandemia, depois com a compra de vacinas no tempo apropriado (leia-se: assim que estavam disponíveis).

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O fracasso brasileiro para controlar a pandemia de covid-19 ficará marcado na história. Nem mesmo as guerras mais chocantes das últimas décadas, ocorridas principalmente no Oriente Médio, ceifaram tantas vidas. Para se ter uma ideia, o conflito armado na Síria registrou 388 mil mortes em 10 anos, segundo dados do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). O Brasil superou esse total em menos de 18 meses da pandemia e fica atrás apenas dos Estados Unidos, que têm uma população 55% maior.

O alerta já havia sido dado pelo neurocientista Miguel Nicolelis em março deste ano. Á época, Nicolelis alertou que, se nada fosse feito, o Brasil chegaria atingiria a marca de 500 mil mortos em 19 de julho. Algo parece ter sido feito, mas de errado. Afinal, alcançamos esse trágico marco quase um mês antes do prazo previsto. Nicolelis recomendava uma estratégia de quarentena e aceleração da campanha de vacinação para reduzir o número de mortes. Como vistos, nem quarentena e nem vacinação funcionaram efetivamente no país, que parece viver como se não tivéssemos tantas pessoas morrendo a cada dia.

Àqueles que condenam as medidas restritivas devido ao impacto econômico, lembramos que o ritmo lento de vacinação no Brasil faz mais do que matar cidadãos. Também atrasa os esforços para recuperação de vários segmentos econômicos, principalmente aqueles que são mais dependentes da presença humana, tais como os serviços em geral, o turismo e o setor de eventos. Prova disso é a taxa de desemprego, que se mantém elevada em todo o país apesar de vivermos essa pretensa normalidade, com quase todos os setores em pleno funcionamento.

Com a chegada do inverno, os especialistas apontam que teremos tempos ainda mais sombrios pela frente. Apesar de uma parcela da população estar vacinada, a imunização ainda caminha em passo muito mais lento do que o vírus e a chegada da terceira onda é tida como certa. O mesmo Nicolelis, que antecipou a marca de 500 mil mortes, alerta para a chegada da terceira onda com nossos hospitais ainda convalescentes da crise vivida entre março e abril. Alertas estes que não parecem ser suficientes para que as pessoas façam sua parte, já que nosso governo federal deixou claro que não irá fazer a dele.

Só conseguiremos vencer o coronavírus por meio da vacinação em massa. Até lá, cabe a nós impedir a circulação do vírus. Lembremos que esse inimigo sequer tem cérebro nem membros para nos infectar melhor. Cabe a nós usarmos as vantagens que temos para superá-lo.

 
 
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