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Opinião Quarta-feira, 16 de Junho de 2021, 10:48 - A | A

Quarta-feira, 16 de Junho de 2021, 10h:48 - A | A

EDITORIAL - 16/06/2021

Futuro ameaçado

A lentidão no processo de vacinação contra covid-19 no Brasil continua a cobrar um alto preço dos jovens em idade escolar. Pesquisa realizada pelo Conselho Nacional da Juventude (Conjuve) aponta que quatro em cada dez jovens já pensou em desistir dos estudos devido aos impactos da pandemia em suas rotinas e à dificuldade de assimilar o conteúdo nas aulas remotas. A constatação dessa pesquisa é corroborada por vários outros estudos conduzidos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e demais órgãos dedicados à pesquisa social.

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O dado é preocupante, haja vista que esta é a última geração do ‘momento áureo’ de nossa pirâmide etária, antes que o Brasil se torne uma nação de idosos. Atualmente, o grupo de jovens com idades entre 15 e 29 anos representa cerca de 50 milhões de brasileiros, aproximadamente um quarto da população nacional.

Realizada com 68.144 jovens de todo o país, a pesquisa identificou que 56% dos entrevistados interrompeu seus estudos, seja em nível médio ou superior, por causa da pandemia. Somados à parcela que já pensou em parar, percebemos que quase todos os jovens não estão conseguindo lidar com as mudanças trazidas pela necessidade de isolamento social. As razões são inúmeras, mas o fator econômico é um dos que mais pesa.

A mesma pesquisa constatou que 38% dos jovens que interromperam os estudos o fizeram devido à necessidade de trabalhar, formal ou informalmente, para ajudar com a renda familiar. Isso representa um aumento significativo frente aos 23% que haviam deixado os estudos para trabalhar em 2020. A pesquisa também constatou - mais uma vez - a desigualdade de condições entre os jovens de etnias diferentes. Entre os jovens negros, esse índice chega a 47%.

Além de abandonar os estudos, os jovens estão perdendo as esperanças de que conseguirão conquistar um futuro melhor. Dentre os entrevistados que continuam estudando, metade dos homens não acredita que conseguirá ter sucesso profissional. Já entre as mulheres, esse número é menor, mas apenas por pouco. Cerca de 57% delas acreditam em um futuro melhor. Aliás, esse é o principal fator para que os jovens que ainda estão estudando sigam com seus esforços, mesmo diante das dificuldades trazidas pelas aulas remotas.

A pesquisa constata a gravidade da situação atual e deixa claro que precisamos de medidas urgentes para promover mudanças, sobretudo na nossa estrutura de ensino, para recuperar o futuro desta enorme parcela da população brasileira. Lembremos que o futuro dessas pessoas é o futuro da Nação. Se elas não têm perspectivas positivas nem esperanças, o que podemos esperar do Brasil nos próximos 10 anos?

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