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Opinião Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2022, 10:44 - A | A

Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2022, 10h:44 - A | A

RICARDO DE OLIVEIRA

O que é solidão?

RICARDO DE OLIVEIRA

Uma busca rápida na internet nos permite identificar várias informações a respeito desta sensação.

Em geral, é descrita como um sentimento de desconexão com o meio ou com as demais pessoas. É normal e comum sentir solidão em algum momento da vida, sobretudo em tempos de tristeza, desamparo, confusões. Não é comum, no entanto, a solidão se perpetuar ou te fazer sofrer, até fazer tomar atitudes perigosas para se satisfazer.

 

Seguem algumas informações encontradas na web:

“A sensação de vazio e abandono, junto à perda de energia e vontade de fazer atividades que até então eram prazerosas, são os principais sintomas. Além deles, são comuns: irritabilidade, falta de apetite ou apetite exagerado, distúrbios do sono, entre outros”.

“Os fatores que contribuem para a solidão incluem variáveis situacionais, como isolamento físico, mudança para um novo local e divórcio. Ademais, o luto por alguém importante na vida de uma pessoa também pode levar a sentimentos de solidão. Além disso, pode ser um sintoma de um distúrbio psicológico, como a depressão”.

“Para a psicologia, o sentimento de solidão é uma resposta emocional quando as pessoas ficam em um isolamento complexo e desagradável. Além disso, pode apresentar, de modo geral, sentimentos de ansiedade por conta da falta de conexão ou comunicação com outras pessoas”.

É possível ainda que a solidão te faça interpretar de modo defensivo a comunicação com o outro, de maneira que pense que a outra pessoa está incomodada com você, que você a perturba ou causa transtorno, que você fala demais ou não é querida. Um simples “até” no fim do texto pode às vezes ser interpretado como um abandono, uma desistência de estar com você.
Se você está nesta situação, então é hora de se cuidar.

O que não está dito muitas vezes na web, é talvez uma situação mais delicada, a atitude que alguns tomam inconscientemente de procurar romper com este vazio o preenchendo com substituição da vida real pela vida virtual de alguma forma; ou procura por se abrir com pessoas desconhecidas na internet, por elas se parecerem se interessar por você, em te acolher e te fazer seguro. Este é o perigo.

Muitos malfeitores aproveitam para enganar pessoas que se encontram nesta situação. Quando a solidão nos faz buscar estes meios para se sentir acolhidos, é por já estarmos fragilizados, feridos, cansados, desiludidos o suficiente para não notar o perigo desta decisão.

Nesse momento acabamos por encontrar homens e mulheres que se conectam conosco nos acolhendo e nos fazendo pensar que agora encontramos a pessoa certa. No entanto, depois de conquistar sua confiança, irão tirar seu dinheiro, conseguir alguns “nudes”, te extorquir e ameaçar, até te levar para cama mesmo, quando não caso pior, e depois te abandonar.

Entendam, se estamos fragilizados, nos tornamos alvos fáceis de pessoas assim. Tomem cuidado.

E o que fazer?

Bom, o fato é que você precisa conversar, ouvir e ser ouvido, você sente necessidade de ter alguém para desabafar, para te acolher, para te fazer sentir seguro.

Então, antes de te mostrar que você não pode se sentir refém de outra pessoa para se sentir bem, primeiro preciso te ouvir, te fazer se sentir bem, te ajudar a conhecer seus sentimentos, interesses, perceber a real de sua situação. E para fazer isso, só tem uma forma: conversar.

O que eu sugiro?

Primeiro:
1° Pare por um momento e descreva qual a sua situação hoje (vida financeira, amorosa, familiar, profissional), coloque em um diário tudo.
2° Tente perceber onde você se sente só. Qual a área em que você sofre, ou sofre mais.
3° Agora, para cada uma delas, descreva uma situação, com riqueza de detalhes, sem procurar justificar (não tente julgar nada nem ninguém, só descreva).
4° Pense: não quero achar culpado; não dependo de nada e nem ninguém para me sentir bem.
5° Procure alguém de confiança para conversar sobre os casos que identificou, um a cada dia, peça (e aceite) uma opinião e não sofra com o que escutar.

Segundo:
Procure observar as pessoas ao seu redor, perceba que elas também têm problemas, elas também sofrem, elas também são imperfeitas como eu e como você.

Observe e veja como elas agem, como reagem, como lidam com diferentes situações. Veja os erros e não repita, veja os acertos e copie. Seja calmo, vá no seu tempo, e perceba que o primeiro a mudar deve ser você.

Terceiro:

Não procure ser visto, notado ou querido (por mais que queiramos), isso deve ser uma consequência em nossas relações. Com o tempo virá.

A partir daí, procure se abrir para novas relações, novas pessoas, novas situações (no seu tempo). Procure falar com pessoas reais, pessoas que você pode conhecer e não vá com sede ao pote. Nada de pressa por favor.

Caso siga com comunicação via web, só lhe digo uma coisa: "não misture sentimentos ou a situação”, não confunda o apoio recebido com aproximação amorosa.

Caso a aproximação amorosa ocorra, sugiro se furtar a ela, afinal, seria bom ter uma relação amorosa sim, mas quando você estiver bem, seguro, confiante, já livre do sentimento de solidão, ou correrá o risco de se dar mal.

Caso não consiga fazer isso sozinho, eu aconselho procurar um profissional de psicologia. Se abra com eles como se estivesse a falar com um espelho.

Por fim, caso queira tentar alguns exercícios, nos procure no Facebook pela página Estoucontigo ou Instagram Estoucontigoficial, temos muitos textos gratuitos para leitura por lá. E o meu contato para trocar mensagens de texto se preferir.

Que Deus te abençoe.

Ricardo Augusto de Oliveira é servidor público da educação de Mato Grosso

 
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