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Economia Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2022, 10:33 - A | A

Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2022, 10h:33 - A | A

ANO DO "TUDO CARO"

Pela primeira vez na história, diesel ficou mais caro que a gasolina no Brasil

Da Redação

O ano de 2022 foi marcado pela explosão dos preços dos combustíveis, criando um cenário nunca visto desde que a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) começou a fazer levantamento de preços no varejo. O preço do óleo diesel, pela primeira vez na história recente, ficou acima do preço do litro da gasolina.

A ANP começou a fazer levantamento de preços em janeiro de 2013, quando o preço da gasolina era 13% mais caro que o do óleo diesel. Naquela ocasião, a gasolina era vendida por R$ 2,98, enquanto o diesel estava em R$ 2,60. Desde então, houve ocasiões em que os preços ficaram mais próximos um do outro, mas o preço do diesel jamais havia superado o da gasolina.

 

Já em 2022, a partir do mês de abril, o preço do óleo diesel superou o da gasolina e chegou a custar 42% mais caro. Como consequência dessa disparada, houve um aumento de custos generalizado em praticamente todos os setores da economia, já que o diesel é utilizado no transporte marítimo, rodoviário e de passageiros, além de abastecer o maquinário utilizado na produção agropecuária e industrial.

A disparada de preços foi provocada pelos efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia, que foi deflagrada em 24 de fevereiro deste ano. Após mais de 300 dias de conflito, não é possível vislumbrar um fim para a guerra, nem para suas consequências econômicas. Após a invasão, diversos países aplicaram sanções econômicas contra a Rússia, na tentativa de tirá-la do mercado internacional e sufocá-la economicamente, o que causou uma disparada nos preços do petróleo em todo o mundo.

Além disso, a União Europeia intensificou o uso do diesel para gerar energia e aquecer as residências durante o inverno, criando ainda mais pressão sobre os preços, pois inicialmente houve redução do fornecimento do gás natural russo para o continente e depois cortado por completo, após sabotagem nos gasodutos Nord Stream 1 e Nord Stream 2.

Outro fator que influenciou os preços foi a articulação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), que já havia reduzido a produção de petróleo ainda na pandemia, pois houve redução da atividade econômica nesse período. Com o início das restrições durante o auge da pandemia, houve até uma redução dos preços dos combustíveis, pois havia muita oferta e pouca demanda.

Porém, os preços logo voltaram a subir com os cortes de produção e dispararam ainda mais com o início do conflito no Leste Europeu. O preço do barril do petróleo tipo Brent, utilizado para a referência de preços pela Petrobras, chegou a ultrapassar os 130 dólares em seu auge. Hoje, ele é negociado na casa dos 85 dólares.

A Petrobras precisa acompanhar o mercado internacional, pois o Brasil precisa importar cerca de 30% do óleo diesel consumido no país. Portanto, se não ocorressem os reajustes, quem importa esse combustível poderia se sentir desincentivado por pagar mais caro pelo mesmo produto, já que precisaria concorrer com os preços abaixo do mercado no Brasil.

Ao longo do ano, a companhia fez 8 reajustes do diesel e 8 reajustes da gasolina. Veja abaixo o gráfico:

 
 
 
 
 
 
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