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DOENÇA SILENCIOSA

Pacientes com cirrose podem apresentar sintomas compatíveis com demência

Mariza Tavares | gshow

Embora um quadro de demência sempre sugira um caminho sem volta, até 10% das pessoas diagnosticadas com a doença podem, na verdade, ter um problema hepático que provoca distúrbios neurológicos, de acordo com estudo publicado no fim de janeiro na JAMA Open Network. Com tratamento, é possível reverter tais sintomas associados ao comprometimento do fígado. Há uma área de interseção entre a doença e demência: 50% dos pacientes com cirrose, que impede o órgão de desempenhar suas funções, desenvolvem encefalopatia hepática.

 A cirrose é preocupante porque se alastra silenciosamente e só se manifesta quando a condição já é grave. Quando o fígado para de remover as toxinas do sangue – como amônia, por exemplo – elas chegam ao cérebro, afetando cognição, coordenação motora e comportamento. Os sintomas iniciais incluem esquecimento, confusão mental, sonolência e fala arrastada, bastante semelhantes aos da demência.

Cerca de 177 mil veteranos norte-americanos foram incluídos no levantamento. Todos haviam sido diagnosticados com demência em pelo menos dois exames anteriores, mas não para cirrose. O primeiro conjunto de indivíduos tinha sido atendido entre 2009 e 2019 (os dados de 2020 não foram usados para não haver contaminação com as informações coletadas a partir do início da pandemia de Covid-19). Utilizando os resultados de exames laboratoriais e registros médicos, os pesquisadores procuraram sinais de fibrose hepática, compatível com uma lesão crônica, e calcularam a possibilidade de um quadro de cirrose com um mapeamento chamado Fibrose-4 score, capaz de estimar o dano ao órgão.

Foi constatado que até 10% dos pacientes apresentavam um índice suficientemente alto para indicar um grau avançado de doença hepática, mas nunca haviam sido diagnosticados com cirrose.

A encefalopatia hepática pode ser tratada com antibióticos, para reduzir a quantidade de toxinas produzidas, ou lactulose, um açúcar não absorvível também usado em casos de constipação, que ajuda a eliminar o “lixo” do organismo. “Se parte dos sintomas é causada pela encefalopatia hepática, que é mais fácil de tratar do que a demência, temos que nos aprofundar nisso”, afirmou Jasmohan Bajaj, autor principal do artigo e professor da Virginia Commonwealth University. 

Bajaj e seus colegas usaram ainda outros dois grupos de pacientes no Richmond VA Medical Center, incluindo os da clínica geriátrica, ratificando o percentual de que parte tinha encefalopatia hepática e não demência. Muitos veteranos têm fatores de risco para as duas doenças, ou seja, as condições coexistem e se alimentam mutuamente. Neste cenário, o pesquisador concorda que o estudo deve ser encarado mais como um sinal de aviso.

 
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