Cuiabá, 16 de Julho de 2024
Icon search

CUIABÁ

Opinião Sexta-feira, 26 de Março de 2021, 10:39 - A | A

Sexta-feira, 26 de Março de 2021, 10h:39 - A | A

EDITORIAL - 26/03/2021

Epidemia de fakes

Da Editoria

Vivemos uma epidemia grave dentro da pandemia. A divulgação de notícias falsas já era um problema grave à democracia brasileira, que se amplificou durante a pandemia, renovando a cada dia o conceito da expressão ‘cúmulo do absurdo’. Mais recentemente, a irresponsabilidade premeditada de alguns grupos levou à paralisação da campanha de vacinação em Cuiabá e expôs dezenas de idosos ao risco de contágio. Acreditando em um falso calendário atribuído ao Ministério da Saúde, eles lotaram o centro de vacinação e foi preciso até mesmo intervenção policial para desfazer a aglomeração. Como resultado, perdemos ao menos um dia da campanha de imunização.

Só que não é esse o único prejuízo que as notícias falsas estão causando. Aliás, talvez seja o menor dos problemas causados até aqui. As notícias falsas estão por todos os lados, até mesmo no discurso de algumas autoridades, quando defendem o uso de medicamentos comprovadamente ineficazes contra a covid-19 ou esbravejam, aos quatro ventos, que não há comprovação científica da eficácia do lockdown. Das duas, uma: falta informação ou vontade de agir.

Não é preciso olha para longe em busca de exemplos de que o lockdown rígido é a extremamente efetivo para frear os contágios. Araraquara, em São Paulo, percebeu uma redução de 57,5% no número de infectados após a cidade ficar em lockdown por 10 dias. Também houve queda de 39% nas mortes por covid-19. E isso porque o período efetivo de lockdown foi apenas de uma semana, já que no sétimo dia as medidas restritivas começaram a ser flexibilizadas, com a volta dos comércios ligados à alimentação.

Por aqui, nem mesmo conseguimos adiantar um grupo de feriados, mesmo com a promessa de que mais para frente os comerciantes poderiam manter suas empresas abertas, já que não haveria o feriado. Enquanto o lobby frenético atuava para conter as necessárias medidas restritivas em Mato Grosso, 399 pessoas morreram e mais de 180 pessoas ficaram a aguardar uma vaga na UTI. Algumas delas sequer conseguiram esperar tempo suficiente para receber o tratamento intensivo de que necessitavam.

A situação em que nos encontramos é grave e parece piorar a cada respiração. As notícias falsas continuam a se espalhar com força e só fazem minar os esforços de quem realmente trabalha para salvar vidas.

Cuiabá MT, 16 de Julho de 2024