Cuiabá, 21 de Maio de 2024
Icon search

CUIABÁ

Opinião Terça-feira, 07 de Maio de 2024, 08:09 - A | A

Terça-feira, 07 de Maio de 2024, 08h:09 - A | A

ANDREA LADISLAU

Série “Bebê Rena” levanta discussão sobre a Erotomania ou delírio romântico

Andrea Ladislau*

É muito comum, principalmente, na fase da adolescência, o despertar do desejo romântico por um ídolo, uma pessoa famosa ou de status mais elevado, gerando um amor romântico que, com a chegada da vida adulta, transforma-se em admiração e carinho apenas.

Mas, e quando esse desejo se transforma em um delírio romântico intenso, prolongado, a ponto do delirante acreditar irrevogavelmente, que o outro, realmente, possui desejos amorosos por si?

Essa é uma das temáticas que vem sendo levantadas por especialistas, em relação à série “Bebê Rena”. Estes discutem a possibilidade de manifestação de um tipo síndrome psicológica rara, no comportamento da personagem Martha: A Erotomania ou delírio romântico. Mas o que seria essa síndrome? Como se manifesta, causas e tratamento?

A Erotomia ou Síndrome de Clérambault é um tipo de síndrome psicopatológica, caracterizada por um delírio romântico, no qual a pessoa adoecida pela síndrome tem convicção, certeza absoluta e irrevogável de que uma outra pessoa, normalmente um famoso, uma celebridade ou alguém de uma classe social elevada em relação a dela, ou mesmo uma pessoa de beleza excepcional, é completamente apaixonada por ela.

Dentro do desejo delirante, a pessoa que sofre com Erotomania apresenta aspectos de delírio romântico intenso em relação ao outro. Essa síndrome é bem rara e multifatorial, pois está relacionada a questões genéticas e se agrava com o tempo devido a algum tipo de estresse psicológico grave, extremo e intenso, sofrido pelo indivíduo.

Essa crença delirante impacta significante a vida de quem sofre com ela, já que ela perde o senso crítico do limite do saudável e permitido em relação a idolatria de uma pessoa famosa (ídolo) ou de status mais elevado.

Os pensamentos de delírio romântico podem afetar qualquer pessoa e suas causas podem variar conforme a predisposição psicogenética de cada um, de acordo com uma série de fatores, como: traumas na cabeça; abusos na infância; esquizofrenia; negligência na infância ou doenças de cunho psiquiátrico.

A personagem Martha da série “Bebê Rena” pode estar sofrendo da Erotonomia, devido ao típico comportamento impulsivo motivado pelo delírio romântico intenso, alimentado em relação ao personagem Donny, o qual Martha, acredita com todas as suas forças, ser apaixonado por ela.

Mas como identificar que essa síndrome pode ser causa de tamanho sofrimento emocional? O erotomaníaco acredita que o(a) seu(sua) pretendente está sempre dando sinais, mesmo quando nem se conhecem.

A idolatria excessiva também é uma pista do adoecimento. Além disso, o erotomaníaco se mantêm muito reservado, não se relaciona sexualmente com ninguém (deseja se guardar para seu amor).

Portanto, essa paixão desmedida reflete um excesso de desejo de amar e ser amado, de ser notado e cuidado. E como todo excesso é prejudicial ao ser humano, o tratamento precisa ser efetivo para trabalhar as falhas, gatilhos e crenças enraizadas que levam essa pessoa a fantasiar um amor romântico com uma pessoa que, muitas vezes nem a conhece. A psicoterapia individual, aliada ao suporte de uma rede de apoio e também a intervenção medicamentosa com antipsicóticos, é fundamental para a excelência do tratamento.
Porém, o sucesso da abordagem terapêutica depende do afastamento do objeto de delírio romântico. Ou seja, é preciso que todos os acessos de informações do erotomaníaco à pessoa desejada, sejam anulados, para que o equilíbrio mental seja recobrado, a autoestima recuperada, assim como o amor próprio.

*Andréa Ladislau é psicanalista

 
 
Cuiabá MT, 21 de Maio de 2024